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CombustívelPor Irisson Lima · 12 de out · 07h00 · leitura 5 min

Isaías toca a terra a leste do polo de refino da Louisiana, e petróleo parado no Golfo cai de 71,51% para 57,54%

Furacão Isaías tocou a terra no oeste da Flórida, a leste do polo de refino da Louisiana, e o petróleo parado no Golfo do México americano caiu de 71,51% para 57,54%. Refinarias apontadas como sob risco ainda não têm balanço; os Estados Unidos venderam 73,6% do diesel importado pelo Brasil em setembro, em peso.

Petróleo parado em 9/10
71,51%
Petróleo parado em 11/10
57,54%
Diesel importado dos EUA
73,6%

O furacão Isaías tocou a terra na noite de sexta-feira, 9 de outubro, perto de Destin, no oeste da Flórida, a leste do polo de refino da Louisiana, na costa do Golfo do México americano. Até domingo, 11 de outubro, a fatia da produção de petróleo do Golfo que segue parada caiu de 71,51% para 57,54%, segundo a agência federal que acompanha as plataformas. Para quem roda em Mato Grosso, o ponto é o diesel: os Estados Unidos (EUA) venderam 73,6% do diesel que o Brasil importou em setembro, em peso.

O pior cenário descrito na sexta não se confirmou, mas o balanço ainda não fechou. Duas refinarias apontadas como sob risco antes da chegada do furacão não tinham, até o fechamento desta matéria, balanço público sobre a operação depois da passagem da tempestade.

01Onde o furacão tocou a terra

No boletim das 19h de sexta, no horário central americano, o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês) informou que o Isaías estava prestes a tocar a terra no oeste do Panhandle da Flórida, a faixa do estado que faz divisa com o Alabama. Os ventos sustentados eram de 175 km/h.

Três horas depois, o centro do furacão estava a cerca de 75 km a lés-nordeste de Pensacola, já sobre a terra, com ventos de 150 km/h. No mesmo boletim, o aviso de furacão a oeste da divisa entre o Mississippi e o Alabama foi suspenso.

Na madrugada de sábado, 10 de outubro, o Isaías perdeu a força de furacão e virou ciclone pós-tropical. Às 4h, estava a 40 km de Montgomery, no Alabama, com ventos de 55 km/h. Todos os avisos de ressaca e de tempestade tropical foram suspensos. No domingo, o sistema seguia para o leste-nordeste, ainda com algum risco de enchente nos Apalaches.

A rota fez diferença. Horas antes de o furacão tocar a terra, a imprensa americana já registrava que a trajetória para o leste deveria poupar a maior parte das refinarias, concentradas mais a oeste, como as da Louisiana.

02A produção do Golfo começa a voltar

A Administração de Minerais Marinhos, agência federal americana que acompanha as plataformas no mar, publica todos os dias a fatia da produção que está parada. Os números vêm dos relatórios das próprias empresas e são estimativas.

  • Sexta, 9 de outubro: 71,51% do petróleo e 58,84% do gás natural parados, com funcionários retirados de 129 plataformas de produção, 34,77% das 371 com pessoal.
  • Sábado, 10 de outubro: 68,76% do petróleo e 57,44% do gás, com 113 plataformas evacuadas.
  • Domingo, 11 de outubro: 57,54% do petróleo e 49,11% do gás, com 32 plataformas ainda sem pessoal, 8,63% das 371 com pessoal.

A volta das equipes é o primeiro passo. Segundo a agência, as instalações sem dano retomam a operação depois das inspeções de praxe.

03O que ainda falta saber nas refinarias

O efeito que mais pesa para o diesel está em terra. Antes da chegada do Isaías, o consultor Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, ouvido pela rede CNN, apontou duas refinarias sob risco: a da Chevron em Pascagoula, no Mississippi, e a da Vertex em Mobile, no Alabama. Juntas, elas processam 466 mil barris por dia, cerca de 2,4% da capacidade de refino dos EUA.

O mesmo analista disse que pode levar até duas semanas para uma refinaria voltar ao ritmo normal, mesmo sem dano. Para Tom Kloza, principal conselheiro de energia da Gulf Oil, também ouvido pela CNN, a maior ameaça era a falta de energia elétrica.

04Reserva de petróleo entra em campo

O Departamento de Energia dos EUA autorizou a troca emergencial de até 4 milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica do país para enfrentar a interrupção no abastecimento causada pelo mau tempo no Golfo. São até 2 milhões de barris para a ExxonMobil e até 2 milhões para a BP. As empresas devolvem o petróleo emprestado em 2027, com barris a mais.

O objetivo declarado pelo departamento é manter as refinarias funcionando e limitar a interrupção no fornecimento de combustíveis.

05O que muda para o diesel no Brasil

Os EUA são hoje o maior fornecedor de diesel ao Brasil. Em setembro, o país importou 1.079,1 mil toneladas de diesel, e 793,8 mil toneladas vieram dos EUA, ou 73,6% do total em peso, segundo o Comex Stat, a base de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Índia, Omã e Rússia vêm na sequência.

Segundo o Ministério da Fazenda, 33% do diesel consumido no país é importado. O Ministério de Minas e Energia (MME) afirma que o abastecimento de outubro está garantido, com oferta confirmada de 4.184 mil metros cúbicos para uma demanda estimada de 3.950 mil, e estoque nacional de 1.937 mil metros cúbicos, o suficiente para cerca de 15 dias.

No preço, a ajuda do governo segue de pé. A subvenção federal de R$ 2,12 por litro continua em vigor, e a Fazenda informou que publica na terça-feira, 13 de outubro, a portaria da subvenção adicional de R$ 1,40 por litro ao diesel importado, por 30 dias.

No levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) da semana de 4 a 10 de outubro, o diesel S10 custou em média R$ 7,66 por litro em Mato Grosso, pesquisado em 53 postos. A média nacional ficou em R$ 7,36 por litro.

Nos próximos dias, ficam no radar a volta da produção do Golfo ao normal, o primeiro balanço das refinarias de Pascagoula e de Mobile e a publicação da portaria da subvenção adicional.

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Fontes

Artigos

  • Administração de Minerais Marinhos (EUA): boletim do Isaías de 11 de outubro Ler a matéria
  • Administração de Minerais Marinhos (EUA): boletim do Isaías de 10 de outubro Ler a matéria
  • Administração de Minerais Marinhos (EUA): boletim do Isaías de 9 de outubro Ler a matéria
  • Centro Nacional de Furacões (EUA): boletins 13A, 14 e 15 do Isaías Ler a matéria
  • Departamento de Energia (EUA): troca emergencial da Reserva Estratégica Ler a matéria
  • CNN: refinarias na rota do Isaías Ler a matéria
  • NPR: como a indústria do petróleo se preparou para o Isaías Ler a matéria
  • Ministério da Fazenda: subvenção adicional ao diesel importado Ler a matéria
  • Comex Stat (MDIC): importação de diesel por país Ler a matéria
  • ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis, 4 a 10 de outubro Ler a matéria

Fotos

  • Capa: Eric Vance / EPA / Wikimedia Commons (domínio público)
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