
Diesel responde por 30% do custo operacional do frete em Mato Grosso, e cada alta de 5% no litro o encarece em cerca de 1,5%, calcula instituto
Análise do Imea calcula que cada 5% de alta no diesel eleva em cerca de 1,5% o custo operacional do frete em Mato Grosso. O S10 subiu 18,0% no estado desde janeiro, segundo a ANP, e o preço do frete ainda não acompanhou.
- Diesel no custo do frete
- 30%
- S10 em MT desde janeiro
- 18,0%
- Diesel por ha de soja
- R$ 198,59
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) calculou que cada alta de 5% no preço do diesel eleva em cerca de 1,5% o custo operacional do frete rodoviário em Mato Grosso. A análise, divulgada na sexta-feira, 30 de outubro, estima que o combustível responde hoje por 30% desse custo e avisa que a conta pode chegar ao preço do frete quando a colheita da soja aumentar a procura por caminhões.
01Diesel pesa 30% no custo do frete
Segundo a analista de logística do Imea, Ébila Ferreira, o diesel acumulou alta estimada entre 15% e 20% de janeiro a outubro. Considerando uma variação de 15%, o impacto calculado sobre o custo operacional do transporte chega a 4,5%.
"Hoje o diesel corresponde a 30% de todo o custo operacional do frete", afirmou a analista, segundo a assessoria do instituto. A regra é proporcional: como o combustível representa 30% do custo, cada ponto de alta no litro vira cerca de 0,3 ponto de alta no custo operacional.
O instituto também aponta aceleração recente. Somente entre setembro e outubro, segundo o Imea, o avanço do diesel foi de aproximadamente 6%.
02O que mostram os preços nas bombas
A alta medida pelo levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) fica dentro da faixa estimada pelo Imea. Na semana de 4 a 10 de janeiro, o diesel S10 custou em média R$ 6,44 por litro em Mato Grosso, em 52 postos pesquisados. Na semana de 18 a 24 de outubro, a mais recente disponível até 1º de novembro, a média foi de R$ 7,60, em 50 postos. A alta no período é de 18,0%.
Nas cidades, a variação foi desigual. Em Rondonópolis, o litro passou de R$ 6,53 para R$ 7,45, alta de 14,1%. Em Sinop, foi de R$ 6,26 para R$ 7,61, alta de 21,6%.
Aplicada a proporção do Imea, uma alta de 18,0% no diesel equivale a cerca de 5,4% no custo operacional do frete. A conta é do Ponto de Apoio e serve de referência média: o peso do combustível muda conforme o consumo do caminhão, a distância, o retorno vazio e os demais custos de cada operação.
03Frete ainda não acompanhou o diesel
Apesar do custo maior, o Imea informa que os valores médios do frete em Mato Grosso ficaram equivalentes na comparação de janeiro a outubro. Segundo o instituto, o preço do transporte também depende da sazonalidade da movimentação de grãos e das condições de mercado, e a alta do combustível não se traduz automaticamente em reajuste imediato e proporcional no valor cobrado.
A expectativa do Imea é que isso mude com a colheita da safra 2026/27 e o escoamento da soja, quando a demanda por caminhões cresce e o mercado tende a dar mais margem para o transportador repassar parte do custo acumulado.
"Quando começar a colheita e o escoamento da soja, o valor do frete pode refletir esses aumentos do diesel que vêm acontecendo agora", avaliou Ébila Ferreira.
04Na lavoura, diesel tem o maior peso da série
A pressão aparece também dentro da fazenda. Na safra 2026/27, os gastos com diesel nas operações mecanizadas da soja em Mato Grosso, que incluem semeadura, aplicações e colheita, estão estimados pelo Imea em R$ 198,59 por hectare, aumento de 23,8% em relação à safra anterior.
O combustível passou a representar 4,59% do custeio da cultura, acima da média de 3,82% das últimas cinco safras e o maior valor da série histórica considerada pelo instituto. O diesel responde ainda por aproximadamente 27% do aumento do custeio da soja de uma safra para outra.
05Subvenções têm prazo de 30 dias
Parte da alta está contida por subvenções federais ao diesel. A principal, de R$ 2,12 por litro de diesel A de uso rodoviário, tem o valor dado pela Portaria nº 2.946 do Ministério da Fazenda (MF), editada com base na Medida Provisória nº 1.391, de 11 de setembro, e foi prorrogada pela Portaria MF nº 3.181, de 27 de outubro, por 30 dias contados da publicação.
Os importadores recebem ainda um adicional de R$ 1,40 por litro, criado pela Portaria MF nº 3.082, de 13 de outubro. Ele vale por 30 dias contados da publicação, e a própria portaria permite prorrogação por igual período.
Para o Imea, a duração da subvenção de R$ 2,12 é um ponto de atenção, porque o fim do benefício pode coincidir com um período importante da safra. "Essa subvenção ajuda a retardar os efeitos que podemos enfrentar posteriormente", disse a analista. Se o benefício não estiver vigente durante a colheita e o escoamento, uma alta adicional do diesel pode ampliar os custos dos transportadores e a pressão por reajuste no frete, segundo o instituto.
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Fontes
Artigos
- Só Notícias: Imea aponta impacto da alta do diesel nos custos de produção e transporte da soja Ler a matéria
- ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis, semana de 18 a 24 de outubro Ler a matéria
- ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis, semana de 4 a 10 de janeiro Ler a matéria
- Diário Oficial da União: Portaria MF nº 3.181, de 27 de outubro de 2026 Ler a matéria
- Diário Oficial da União: Portaria MF nº 2.946, de 25 de setembro de 2026 Ler a matéria
- Diário Oficial da União: Portaria MF nº 3.082, de 13 de outubro de 2026 Ler a matéria
Fotos
- Capa: Roosevelt Pinheiro / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)
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