
Goldman Sachs calcula diesel cerca de 20% mais caro na bomba se acabar a vantagem do importado
Goldman Sachs calcula que a Petrobras teria de subir o diesel em cerca de 50% às distribuidoras, perto de 20% na bomba, se acabar a ajuda extra ao importado, mas não vê reajuste no cenário principal. A semana tem conselho da Petrobras e o fim do período da subvenção de R$ 2,12.
- Alta às distribuidoras
- 50%
- Alta na bomba
- 20%
- Diesel S10 (MT)
- R$ 7,67
O banco Goldman Sachs calculou que a Petrobras teria de subir em cerca de 50% o preço do diesel vendido às distribuidoras, ou aproximadamente R$ 1,50 por litro, se a ajuda extra paga hoje só a quem importa o combustível acabar depois do segundo turno. Na bomba, segundo o relatório, noticiado na quinta-feira, 22 de outubro, a alta seria de perto de 20%. O banco, porém, não trabalha com esse reajuste no cenário principal. Para quem roda em Mato Grosso, onde o diesel S10 custa mais que a média nacional, a conta chega na semana em que vence o período atual da subvenção de R$ 2,12 por litro e o conselho da Petrobras discute preços.
01O que o banco calculou
Pelas contas dos analistas, publicadas pela InfoMoney e pela Exame, o preço que a Petrobras de fato recebe pelo diesel, já somados os subsídios do governo, equivale a R$ 5,43 por litro. A paridade de importação, que é quanto custaria trazer o mesmo produto de fora, fica perto de R$ 6,89 por litro. O preço da estatal fica 21% abaixo da paridade.
Se a parcela extra do importado acabar, alinhar o preço à paridade exigiria um aumento de cerca de 50% no preço às distribuidoras. O relatório aponta ainda o risco de uma alta maior, caso a direção da estatal também tente compensar os meses deste ano em que vendeu abaixo da paridade.
O cenário-base do banco é outro. "Assumimos que a Petrobras manterá os preços do diesel inalterados até o final do ano", diz o relatório, na tradução publicada pela InfoMoney. Os analistas avaliam que qualquer decisão deve ficar para depois do segundo turno, realizado neste domingo, 25. Até sexta-feira, 23, o preço efetivo do diesel da Petrobras estava sem mudança havia 145 dias, segundo o SpaceMoney.
02Por que o importado pesa na conta
O ponto central do relatório é o que o banco chama de assimetria de subsídios. Quem produz diesel no Brasil, como a Petrobras, recebe subvenção de R$ 2,12 por litro. Quem importa recebe R$ 3,52, porque soma aos R$ 2,12 uma parcela extra de R$ 1,40, criada pela Portaria nº 3.082, de 13 de outubro, válida por 30 dias.
Com a ajuda maior, o importado chega às distribuidoras a preço competitivo. Segundo os analistas, embora a Petrobras venda o diesel a R$ 3,31 por litro às distribuidoras, ela não consegue subir esse preço sem perder mercado para o produto de fora. Se a parcela extra acabar, essa trava sai, e a pressão para reajustar aparece. O relatório considera que os R$ 1,40 valem até meados de novembro.
Há também um cenário mais duro. Se todos os subsídios ao diesel forem retirados nos próximos meses, o banco estima alta de cerca de R$ 1,80 por litro nas bombas, levando a média nacional de R$ 7,34 para algo entre R$ 9 e R$ 10.
03O que chegaria à bomba em Mato Grosso
No levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) da semana de 11 a 17 de outubro, o diesel S10 custou em média R$ 7,67 por litro em Mato Grosso, em 52 postos pesquisados. A média do país foi de R$ 7,34.
Numa simulação do Ponto de Apoio, que aplica ao preço do estado o percentual do banco, uma alta de 20% somaria cerca de R$ 1,53 por litro e levaria o S10 a R$ 9,20 em Mato Grosso. Em Sinop, onde o litro custou R$ 7,82, iria a R$ 9,38. Em Rondonópolis, de R$ 7,47 para R$ 8,96. No cenário sem nenhum subsídio, com R$ 1,80 a mais, a média do estado chegaria a R$ 9,47.
Para uma carreta que faça, por exemplo, 2,5 km por litro, os R$ 1,53 representariam cerca de R$ 0,61 a mais por quilômetro, ou perto de R$ 614 a cada 1.000 km rodados. São contas ilustrativas: o repasse real depende do que a Petrobras decidir, das margens de distribuidoras e postos e do tempo que o aumento levar para chegar à bomba.
O banco estima que o reajuste teria efeito pequeno e direto na inflação, de 5 a 6 pontos-base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O efeito maior viria de forma indireta, pelo frete mais caro espalhado pela economia: de 16 a 18 pontos-base, num total de 21 a 24. O relatório cita que as tarifas do frete rodoviário poderiam subir e aponta a operadora ferroviária Rumo como possível beneficiária.
04O piso do frete acompanha
Uma alta desse tamanho mexe também na tabela do frete. Pela Lei nº 13.703, de 2018, com a redação dada pela Lei nº 15.485, de 2026, quando o preço dos combustíveis ao consumidor final varia 5% ou mais, para cima ou para baixo, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deve publicar o reajuste dos pisos mínimos em até três dias úteis, contados da divulgação oficial da variação.
Um aumento de 20% na bomba passaria com folga desse gatilho. Um frete contratado antes de um reajuste da tabela pode ficar abaixo do novo piso.
05O que se decide nesta semana
A Portaria nº 2.946 do Ministério da Fazenda, de 25 de setembro, manteve a subvenção de R$ 2,12 por litro por 30 dias, contados a partir de 27 de setembro, com possibilidade de prorrogação por igual período. Até sábado, 24 de outubro, o governo não tinha anunciado a renovação, segundo o Diário do Transporte, citado pelo portal Click Petróleo e Gás.
Nesta segunda-feira, 26, o Conselho de Administração da Petrobras avalia os preços dos combustíveis, com o diesel no centro da pauta, segundo o SpaceMoney. Também hoje, a ANP divulga o levantamento de preços da semana de 18 a 24 de outubro, adiado por causa do feriado do Dia do Comerciário no Rio de Janeiro.
Até o fechamento desta matéria, o Ponto de Apoio não localizou anúncio oficial da Fazenda sobre a renovação dos R$ 2,12 nem comunicado da Petrobras sobre o preço do diesel.
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Fontes
Artigos
- InfoMoney: Goldman aponta alta de até 50% no diesel da Petrobras Ler a matéria
- Exame: Diesel pode ter reajuste de 50% após eleições, avalia Goldman Ler a matéria
- ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis Ler a matéria
- Planalto: Lei nº 13.703, de 2018 (piso mínimo do frete) Ler a matéria
- Click Petróleo e Gás: Subsídio de R$ 2,12 ao diesel vence sem renovação anunciada Ler a matéria
- SpaceMoney: Conselho da Petrobras avalia combustíveis na segunda Ler a matéria
Fotos
- Capa: Fontela01 / Wikimedia Commons (domínio público)
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