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CombustívelPor Irisson Lima · 14 de out · 07h00 · leitura 4 min

Ataques dos hutis à Arábia Saudita levam o Brent a US$ 106,65, maior nível desde 15 de setembro

Ataques dos hutis a Riade levaram o Brent a US$ 106,65 em 12 de outubro, maior nível desde 15 de setembro, e expõem Yanbu, porto saudita usado para contornar Ormuz. Com 33% do diesel importado, o Brasil tem duas subvenções federais em vigor para conter o preço.

Brent em 12/10
US$ 106,65
Alta no dia
1,84%
Diesel importado
33%

O barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, fechou a segunda-feira, 12 de outubro, a US$ 106,65, alta de 1,84% no dia e o maior nível desde 15 de setembro. A subida veio depois de três dias de ataques dos hutis, grupo armado do Iêmen alinhado ao Irã, contra a Arábia Saudita. Para quem roda em Mato Grosso, o recado está no custo de importação: segundo o Ministério da Fazenda, 33% do diesel consumido no Brasil vem de fora, o que torna o mercado nacional especialmente sensível às oscilações dos preços internacionais.

O petróleo americano do tipo West Texas Intermediate (WTI) acompanhou o movimento e subiu 2,06%, a US$ 93,74, de acordo com a agência de notícias francesa Agence France-Presse (AFP).

01Três dias de ataques em Riade

No sábado, 10 de outubro, um ataque dos hutis ao Aeroporto Internacional King Khalid, em Riade, capital saudita, deixou pelo menos 13 mortos e mais de 300 feridos, segundo a rede Al Jazeera. No domingo, outro ataque matou uma pessoa e feriu 11.

Na noite de segunda-feira, moradores relataram explosões fortes na cidade, logo depois de receberem no celular um alerta de ameaça aérea. A coalizão liderada pela Arábia Saudita que combate os hutis no Iêmen informou ter interceptado mais um míssil balístico lançado contra a capital. O aeroporto segue fechado e, de acordo com as autoridades sauditas, deve ficar assim até o sábado, 17 de outubro.

Os hutis também já atingiram instalações de petróleo do país. Um integrante do grupo alertou os trabalhadores de instalações de petróleo e de aeroportos sauditas a se afastarem desses locais, que passaram a ser tratados como alvos.

02Por que Yanbu preocupa o mercado

O temor do mercado tem nome: Yanbu. O complexo portuário fica no Mar Vermelho, é o ponto de chegada do oleoduto Leste-Oeste e, segundo o analista Andy Lipow, abriga parte importante da capacidade de refino saudita. Com a guerra no Oriente Médio, virou ponto de passagem central do desvio do Estreito de Ormuz.

Lipow, da Lipow Oil Associates, disse à AFP que os hutis "podem atacar facilmente Yanbu".

Ormuz também segue tenso. A agência britânica de segurança marítima, a UK Maritime Trade Operations (UKMTO), relatou três ataques contra navios no fim de semana, no estreito e no Golfo de Omã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também anunciou ter negociado a entrega de diesel russo aos mercados. Especialistas ouvidos pela AFP se mostraram cautelosos sobre a viabilidade dessa alternativa.

03Duas subvenções seguram o diesel no Brasil

Duas subvenções federais ao diesel estão em vigor para conter o repasse da alta externa.

A primeira é a subvenção de R$ 2,12 por litro, mantida pela Portaria nº 2.946, editada pela Fazenda em 25 de setembro, com base na Medida Provisória (MP) nº 1.391. Segundo o Poder360, a portaria não fixa data de validade, mas prevê um novo ciclo de 30 dias, a depender da evolução do petróleo. A Fazenda afirma que o objetivo é conter o repasse de custos ao transporte rodoviário de cargas e ao transporte público.

A segunda foi anunciada em 9 de outubro: R$ 1,40 por litro de diesel A rodoviário importado, pago aos importadores por 30 dias, somado aos R$ 2,12. A Fazenda informou que a portaria seria publicada em 13 de outubro e estimou o custo em R$ 1,6 bilhão por 30 dias. Até o fechamento desta edição, a publicação não havia sido confirmada. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) fica responsável pela habilitação dos participantes, pelo acompanhamento dos preços e pelo pagamento.

O governo justificou a ajuda extra com o "agravamento das tensões geopolíticas e das restrições na oferta internacional". Foi anunciada antes dos ataques do fim de semana.

04Abastecimento e preço em Mato Grosso

Para outubro, o Ministério de Minas e Energia (MME) estima demanda de 3.950 mil metros cúbicos de diesel e diz ter oferta confirmada de 4.184 mil metros cúbicos, cerca de 33% dela importada. O estoque nacional, de 1.937 mil metros cúbicos, cobre cerca de 15 dias de consumo, segundo o ministério.

No posto, o último dado é anterior aos ataques. Na semana de 4 a 10 de outubro, o diesel S10 custou em média R$ 7,66 em Mato Grosso, em 53 postos pesquisados pela ANP, ante R$ 7,36 na média do país. Em Sinop, a média foi de R$ 7,88, em seis postos; em Rondonópolis, de R$ 7,49, em 13 postos.

05O que acompanhar

Três pontos para acompanhar:

  • se a portaria da subvenção de R$ 1,40 é de fato publicada e se os importadores aderem;
  • o que o governo decide sobre a subvenção de R$ 2,12 ao fim do ciclo de 30 dias;
  • se os ataques chegam a Yanbu ou a outras instalações de petróleo sauditas.

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Fontes

Artigos

  • O Tempo (AFP): Petróleo fecha em alta após ataques dos houthis na Arábia Saudita Ler a matéria
  • Infobae: Ataques hutis contra a Arábia Saudita levam o petróleo ao maior nível em semanas Ler a matéria
  • Al Jazeera: Míssil dos hutis mira Riade pelo terceiro dia seguido Ler a matéria
  • Ministério da Fazenda: Governo Federal prorroga desoneração da gasolina e do etanol Ler a matéria
  • Poder360: Governo mantém subsídio de R$ 2,12 no diesel Ler a matéria
  • ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis, semana de 4 a 10 de outubro Ler a matéria

Fotos

  • Capa: Calistemon / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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