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CombustívelPor Irisson Lima · 16 de out · 07h00 · leitura 5 min

AIE prevê diesel apertado no mundo até o segundo semestre de 2027, e mercado de petróleo segue em déficit até o fim do ano

Relatório mensal da Agência Internacional de Energia diz que a oferta mundial de diesel segue limitada até o segundo semestre de 2027 e que o mercado de petróleo fica em déficit até o fim do ano. O Brasil importa 33% do diesel que consome.

Peso do diesel na queda
cerca de 25%
Dated Brent em setembro
US$ 116,89
Diesel importado (BR)
33%

A Agência Internacional de Energia (AIE) avisou, no relatório mensal divulgado na quarta-feira, 14 de outubro, que a oferta mundial de diesel deve seguir limitada até o segundo semestre de 2027. Segundo dados da AIE relatados pela Times Brasil, que reproduz a rede americana Consumer News and Business Channel (CNBC), a oferta não atende à demanda no quarto trimestre de 2026, e as exportações globais do combustível caíram 700 mil barris por dia (bpd) em setembro, na comparação com setembro de 2025. Para quem roda com carga em Mato Grosso, o alerta pesa porque 33% do diesel consumido no Brasil vem de fora, segundo o Ministério da Fazenda.

O relatório também diz que o mercado de petróleo deve continuar deficitário até o fim do ano, mesmo com o consumo global em queda. A falta se concentra nos chamados derivados médios, grupo que inclui o diesel.

01O que a AIE diz sobre o diesel

Segundo a reportagem da Times Brasil, a AIE afirma que a reposição dos estoques de diesel perdidos, além da variação normal de cada estação, dificilmente começa antes do segundo semestre de 2027. Isso vale mesmo com a recuperação esperada na produção das refinarias até o fim deste ano.

A agência descreve um aperto fora de época no mercado de diesel no terceiro trimestre, somado a quedas de estoque maiores que as normais nos três meses anteriores. O resultado, segundo a AIE, é que os mercados globais chegam sem a cobertura de estoques à temporada de maior demanda, no inverno do Hemisfério Norte.

A procura pelo combustível, diz o relatório, segue firme e pouco sensível a preço, amparada por medidas de governos para aliviar o custo ao consumidor. Na conta da AIE, o diesel responde por cerca de 25% da queda do consumo mundial de petróleo prevista para 2026.

02Exportações em queda e preço recorde no atacado

Em setembro, as exportações globais de diesel caíram 700 mil bpd em relação a setembro de 2025, segundo dados da AIE citados pela Times Brasil. A perda de 1,3 milhão de bpd na oferta da Rússia e do Oriente Médio foi compensada só em parte por outras origens.

O preço reagiu. No atacado, o diesel passou de US$ 200 por barril em Singapura em meados de setembro e chegou a máximas históricas de cerca de US$ 220 por barril na Europa e nos Estados Unidos, segundo a AIE.

O ponto que mais interessa ao Brasil está no fim do capítulo sobre diesel. A agência alerta que a tensão no frete marítimo de petróleo bruto pode elevar de novo, nas próximas semanas, o preço do diesel entregue na Europa, na África e na América Latina, que a AIE aponta como os principais mercados importadores do combustível.

03Petróleo: menos consumo, oferta frágil

No petróleo como um todo, a AIE passou a prever queda média de 2,6 milhões de bpd no consumo mundial em 2026, ante 2,5 milhões na projeção anterior. Para o quarto trimestre, a previsão é de recuo de 2,5 milhões de bpd na comparação anual. A agência atribui a queda à guerra com o Irã, aos combustíveis mais caros e à piora das perspectivas econômicas.

A oferta mundial subiu 2,5 milhões de bpd em setembro ante agosto, para 102,3 milhões de bpd, puxada pelos produtores do Golfo Pérsico. A AIE, porém, classifica a recuperação como "frágil", diante de novos ataques à infraestrutura de energia e ao tráfego de petroleiros na região. Na média de 2026, a oferta deve cair 5,8 milhões de bpd, para 100,7 milhões de bpd.

Os estoques mundiais recuaram 10 milhões de barris em setembro e terminaram o mês 509 milhões de barris abaixo do nível de antes da guerra. As reservas em terra estão no menor patamar desde pelo menos 2016. No mercado físico, o Dated Brent, referência do Brent para entrega imediata, subiu US$ 26,17 por barril em setembro, para US$ 116,89.

Para 2027, a AIE prevê alta de 7,7 milhões de bpd na oferta e recuperação parcial da demanda, de cerca de 2 milhões de bpd. A agência avalia que, sem solução para os conflitos, o mercado pode ter mais turbulência nos próximos meses, antes de um eventual excesso de oferta em 2027.

04Por que o Brasil sente o aperto

O Brasil não produz todo o diesel que consome. Segundo a nota da Fazenda de sexta-feira, 9 de outubro, 33% do diesel consumido no país é importado, o que, nas palavras do ministério, torna o mercado nacional "especialmente sensível às oscilações dos preços internacionais".

Para outubro, o Ministério de Minas e Energia (MME) estima demanda de 3.950 mil metros cúbicos de diesel e diz ter oferta confirmada de 4.184 mil metros cúbicos, cerca de 33% dela importada. O estoque nacional informado é de 1.937 mil metros cúbicos.

Hoje, parte do repasse da alta lá fora é amortecida por subvenções federais. A Portaria nº 3.082 do Ministério da Fazenda acrescentou R$ 1,40 por litro à subvenção paga aos importadores de diesel de uso rodoviário, por 30 dias contados de terça-feira, 13 de outubro, prorrogáveis por igual período. O valor se soma à subvenção de R$ 2,12 por litro já em vigor, segundo a Fazenda. No calendário da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o período de apuração atual dos R$ 2,12 vai de 12 a 27 de outubro.

05O que acompanhar

  • O fim do prazo de 30 dias do adicional de R$ 1,40 e se o governo prorroga as subvenções.
  • O preço do diesel importado nas próximas semanas, que a AIE vê sob risco de nova alta pelo frete marítimo.
  • Novos ataques no Golfo, que, segundo a agência, deixam frágil a recuperação da oferta.

A AIE não faz previsão para o preço na bomba no Brasil. O que o relatório indica é que a recomposição dos estoques de diesel não deve começar antes do segundo semestre de 2027.

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Fontes

Artigos

  • Times Brasil (CNBC): AIE prevê aperto no diesel até 2027 Ler a matéria
  • CNN Brasil: AIE vê retomada de oferta vulnerável com guerra no Irã Ler a matéria
  • InfoMoney: AIE vê demanda menor e retomada da oferta vulnerável Ler a matéria
  • O.Económico: AIE alerta para escassez global de diesel até 2027 Ler a matéria
  • Ministério da Fazenda: Governo Federal prorroga desoneração da gasolina e do etanol Ler a matéria
  • Diário Oficial da União: Portaria MF nº 3.082, de 13 de outubro de 2026 Ler a matéria
  • ANP: Subvenção à comercialização de óleo diesel rodoviário 2026 Ler a matéria

Fotos

  • Capa: Frank Schulenburg / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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