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FretePor Irisson Lima · 17 de out · 07h00 · leitura 4 min

Tapajós em Itaituba cai 111 cm em 25 dias e fica 29 cm abaixo da referência de estiagem da ANA

Rio Tapajós marca 186 cm em Itaituba, onde fica o transbordo de Miritituba, 29 cm abaixo da referência de estiagem da Agência Nacional de Águas (ANA); em 13 de outubro, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) ainda via nível dentro da faixa normal para o período.

Nível em Itaituba
186 cm
Queda em 25 dias
111 cm
Mínima de 2024
83 cm

O rio Tapajós marcou 186 cm em Itaituba, no Pará, na sexta-feira, 16 de outubro, segundo o boletim diário da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O nível está 29 cm abaixo dos 215 cm que a agência usa como referência de estiagem na estação e caiu 111 cm desde 21 de setembro. É em Miritituba, distrito de Itaituba, que a soja de Mato Grosso troca o caminhão pela barcaça na rota do Arco Norte.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) usa outro critério de comparação. No boletim de terça-feira, 13 de outubro, quando o rio marcava 192 cm, o órgão disse que a vazante segue em curso em Itaituba, "com níveis dentro da faixa de normalidade para o período". A tabela da ANA compara o nível com um limite fixo de estiagem, de 215 cm, o mesmo em qualquer data. Já o boletim do SGB trata como faixa de atenção os níveis fora do intervalo entre 15% e 85% de permanência dos dados diários de cada época, segundo a metodologia descrita no próprio boletim.

01O que mostra a série da ANA

A estação de Itaituba é da ANA e tem o código 17730000. Nos boletins diários da agência, o nível estava em 297 cm em 21 de setembro e em 223 cm em 3 de outubro. No domingo, 4 de outubro, marcou 214 cm, o primeiro dia abaixo da referência de estiagem.

Desde então a descida continuou. Foram 197 cm na sexta-feira, 9 de outubro, e 186 cm uma semana depois, uma queda de 11 cm em sete dias. No meio da semana o rio chegou a ficar quase parado: 194 cm na segunda-feira, 12 de outubro, 191 cm na terça e 193 cm na quarta.

A referência de 215 cm aparece no gráfico da estação como a "cota 95%", nível usado pela ANA para marcar a faixa de estiagem.

Rio abaixo, em Santarém, o quadro é outro. A estação marcou 175 cm na sexta-feira, 64 cm acima da referência de estiagem de 111 cm.

02O que diz a série histórica do SGB

O SGB acompanha Itaituba no boletim de alerta hidrológico da bacia do Amazonas e registra outubro e novembro como o período de cotas mínimas da estação.

Uma nota técnica do órgão, publicada em setembro de 2025 com a série de 1974 a 2024, ajuda a medir o tamanho da vazante. A mínima anual de Itaituba fica, em média, em 213 cm, com mediana de 209 cm. O nível de sexta-feira já está 23 cm abaixo dessa mediana. Segundo a nota, a mínima do ano caiu em outubro em 65% dos anos da série e em novembro em 29%.

O pior ano da série foi 2024, quando o rio chegou a 83 cm em Itaituba, o mais baixo da série histórica. O nível atual está 103 cm acima dessa marca. A mesma nota aponta que as mínimas anuais vêm caindo, em média, 1,36 cm por ano ao longo das últimas décadas.

03Régua não é profundidade

O nível da régua não diz, sozinho, quanto de água sobra para as barcaças. Em reportagem do portal Amazonas Atual publicada em 1º de outubro, o pesquisador David Franco Lopes, do SGB, explicou que as réguas e as cartas náuticas da Marinha usam referências diferentes, e que o que vale para a navegação é a profundidade efetiva dos canais e dos pontos críticos.

Segundo o SGB, as barcaças são projetadas para navegar com 4,5 metros de profundidade quando estão totalmente carregadas. Lopes afirmou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) considera profundidades mínimas da ordem de 2,5 metros no Baixo Tapajós e que, no auge da seca, alguns trechos podem ficar abaixo disso. A Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (Amport) aponta Itapaiunas, Barranco do Navio e Monte Cristo como os trechos que mais preocupam.

Na mesma reportagem, a Amport informou que ainda não havia redução de carga nem mudança na operação das embarcações, mas previa alterações nas próximas semanas. Segundo a reportagem, com menos profundidade as empresas devem reduzir a quantidade de grãos transportada. Desde então, o rio caiu mais 53 cm em Itaituba, de 239 cm em 1º de outubro para 186 cm na sexta-feira, segundo a ANA.

04O peso da rota para Mato Grosso

O Tapajós é uma das saídas do Arco Norte para a soja de Mato Grosso. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) citados pela Amport indicam que o rio movimentou 2.217.398 toneladas de carga no primeiro bimestre de 2026, com a soja como principal produto.

O frete rodoviário até o rio é acompanhado toda semana pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O boletim de segunda-feira, 12 de outubro, trouxe a tonelada de grãos de Sorriso a Miritituba a R$ 282,50 na semana de 5 a 9 de outubro, contra R$ 273,75 na semana anterior. O boletim não liga a variação ao nível do rio.

O que acompanhar. O boletim diário da ANA traz o nível de Itaituba e de Santarém. O SGB atualiza a bacia no boletim de alerta, o mais recente de terça-feira, 13 de outubro, e marca outubro e novembro como o período de mínimas em Itaituba.

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Fontes

Artigos

  • ANA: Acompanhamento da Bacia do Rio Amazonas, boletim de 16/10/2026 Ler a matéria
  • ANA: Acompanhamento da Bacia do Rio Amazonas, boletim de 09/10/2026 Ler a matéria
  • ANA: Acompanhamento da Bacia do Rio Amazonas, boletim de 05/10/2026 Ler a matéria
  • ANA: Acompanhamento da Bacia do Rio Amazonas, boletim de 02/10/2026 Ler a matéria
  • ANA: Acompanhamento da Bacia do Rio Amazonas, boletim de 25/09/2026 Ler a matéria
  • SGB: 41º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas Ler a matéria
  • SGB: Prognóstico de níveis do rio Tapajós, estação Itaituba Ler a matéria
  • Imea: Relatórios de mercado, boletim semanal da soja Ler a matéria
  • Amazonas Atual: Seca reduz profundidade do Tapajós e pode limitar carga em barcaças Ler a matéria
  • Brasil de Fato: Miritituba e a chegada da soja à Amazônia Ler a matéria

Fotos

  • Capa: Marcelo CASTRO / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
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