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FretePor Irisson Lima · 29 de out · 07h00 · leitura 5 min

Só 8% dos autônomos ouvidos pela Frete.com aprovam a tabela do frete, e 64% relatam faturamento menor

Pesquisa da Frete.com com mais de 700 caminhoneiros autônomos aponta que só 8% aprovam a tabela do piso e 64% citam piora no faturamento, com a carga migrando para veículos maiores, em geral de transportadoras.

Aprovam a tabela
8%
Faturamento pior
64%
Carretas no agro
68% para 44%

Uma pesquisa da plataforma de fretes Frete.com com mais de 700 caminhoneiros autônomos aponta que só 8% aprovam a tabela de frete mínimo como está hoje. Para 62% dos entrevistados, a lei que endureceu a cobrança do piso reduziu a quantidade de trabalho, e 64% citaram piora no faturamento. Os números foram publicados pelo Brazil Journal na quinta-feira, 22 de outubro, e repercutidos pelo Blog do Caminhoneiro na segunda-feira, 26.

O dado interessa a quem roda no agronegócio, como em Mato Grosso: segundo o levantamento de viagens da empresa, a carga nas estradas não diminuiu, mas passou a viajar em veículos maiores, em geral de transportadoras.

01O que a pesquisa encontrou

A Frete.com diz registrar o movimento de cerca de 900 mil caminhões e os carregamentos de 25 mil empresas por ano, e afirma intermediar cerca de R$ 55 bilhões em fretes por ano. Além dos 8% que aprovam a tabela, a pesquisa traz três respostas que pesam no bolso do autônomo:

  • 62% disseram ter menos trabalho depois da nova lei;
  • 64% citaram piora no faturamento;
  • 65% disseram perceber que fretes antes contratados com eles estão indo para transportadoras e empresas.

Segundo o fundador e diretor-presidente da empresa, Federico Vega, um em cada cinco caminhoneiros, 20%, já fala em sair do mercado.

As fontes não informam a metodologia da pesquisa, como período de coleta, margem de erro ou distribuição por estado. Também não há recorte específico de Mato Grosso. A Frete.com é parte interessada no mercado de fretes, o que vale ter em conta ao ler os números.

02Por que os conjuntos maiores ganharam espaço

A explicação da empresa está no jeito de calcular o piso. A tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) parte do tipo de mercadoria, do tamanho do caminhão e da distância percorrida, e não do peso transportado. Pela conta da Frete.com, isso deixa os conjuntos grandes mais baratos por tonelada.

O exemplo citado é uma rota de 1.000 quilômetros. Nela, segundo a plataforma, o piso de um rodotrem de nove eixos sai, na prática, a R$ 145 por tonelada, enquanto o de uma carreta, o veículo típico do autônomo, fica em R$ 245 por tonelada. A reportagem acrescenta que contratar uma empresa traz vantagem tributária em relação ao caminhoneiro pessoa física, o que reforça a preferência pelo Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) quando o preço de tabela é o mesmo.

Segundo os dados reunidos pela Frete.com e citados pelo Brazil Journal:

  • os veículos grandes levaram 43% das cargas no mês anterior à reportagem, contra 14% em março, quando saiu a medida provisória, e 10% em setembro do ano passado, antes da fiscalização eletrônica;
  • no agronegócio, a participação das carretas nas viagens caiu de 68% para 44%;
  • em quatro grandes transportadoras do agro, a fatia de fretes contratados com motoristas pessoa física caiu de 24% em 2025 para 14% em 2026.

03Piso que vira teto

Outra queixa registrada na pesquisa é a perda de negociação. "Os caminhoneiros também disseram na pesquisa que o piso virou um teto", disse Vega ao Brazil Journal. Segundo ele, o contratante passou a oferecer o preço da tabela como valor fechado.

Pela lei, o piso é o valor mínimo, e não um preço fixo. O relato dos motoristas é que, na prática, a margem acima do piso encolheu.

04O que a lei mudou

A Lei 15.485 foi sancionada na quarta-feira, 5 de agosto, e tornou definitivos trechos da Medida Provisória do Frete (MP 1.343/2026), que vigorou de 19 de março a 16 de julho. Segundo o resumo da Agência Senado, as punições para quem contrata abaixo do piso sobem em escada:

  • na primeira infração, indenização de duas vezes o valor do contrato;
  • com duas infrações em 12 meses, multa de até R$ 1 milhão, em dobro numa nova reincidência, observado o valor máximo; antes, a multa ia de R$ 550 a R$ 10,5 mil;
  • com mais de quatro infrações em seis meses, suspensão cautelar do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) de 5 a 30 dias;
  • com duas ou mais suspensões em dois anos, cancelamento do registro.

A lei também passou a exigir o cumprimento do piso como condição para gerar o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), que se tornou obrigatório para todas as operações remuneradas de transporte, e não só para as de autônomos.

O que a lei prevê para o autônomo. A mesma lei diz que a administração pública buscará fazer até 30% das contratações anuais de transporte rodoviário de cargas diretamente com caminhoneiros autônomos, sempre que houver disponibilidade. O autônomo também pode optar por recolher direto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como contribuinte individual.

05O que ainda está em aberto

Os vetos à lei, 22 segundo a Agência Senado, ainda não foram votados. Na página do Veto nº 43/2026, no Congresso Nacional, a matéria aparece em tramitação e trancando a pauta das sessões conjuntas desde 6 de setembro. Deputados e senadores podem mantê-los ou derrubá-los.

A pesquisa da Frete.com não traz resposta da ANTT nem do Ministério dos Transportes, e nenhuma das fontes consultadas registra manifestação oficial sobre os números. Para quem contrata ou presta frete, a regra segue a mesma: o valor de cada viagem pode ser conferido na calculadora oficial da ANTT, por tipo de carga, número de eixos e distância.

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Fontes

Artigos

  • Brazil Journal: Piso do frete sai pela culatra, caminhoneiro autônomo perde mercado Ler a matéria
  • Blog do Caminhoneiro: Pesquisa mostra queda de trabalho e faturamento de autônomos Ler a matéria
  • Agência Senado: MP do piso mínimo do frete vira lei Ler a matéria
  • Agência Gov: Como fazer o cálculo do piso mínimo de frete Ler a matéria
  • Congresso Nacional: Veto nº 43/2026, valor mínimo para frete Ler a matéria

Fotos

  • Capa: Agência CNT de Notícias / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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