
Rio Madeira sobe 146 cm em uma semana em Porto Velho e encosta na mediana, e Tapajós segue em queda em Itaituba
O Rio Madeira subiu 146,1 cm em sete dias em Porto Velho e marcou 412,9 cm na terça-feira, 20, 2,6 cm abaixo da mediana para a data, segundo o SGB. No Tapajós, Itaituba caiu para 166 cm, 49 cm abaixo da referência de estiagem da ANA.
- Madeira em Porto Velho
- 412,9 cm
- Alta em 7 dias
- 146,1 cm
- Tapajós em Itaituba
- 166 cm
O Rio Madeira subiu 146,1 centímetros em sete dias em Porto Velho, em Rondônia, e marcou 412,9 cm na manhã de terça-feira, 20 de outubro, segundo o boletim do Serviço Geológico do Brasil (SGB). O nível ficou 2,6 cm abaixo da mediana histórica para a data. Duas semanas antes, a distância era de 88,5 cm. A subida chega à hidrovia por onde parte dos grãos de Mato Grosso desce de barcaça até os portos do Amazonas. No Rio Tapajós, outra saída fluvial da safra do estado, a régua de Itaituba, no Pará, continuou caindo e ficou em 166 cm.
A volta da subida estava no radar do SGB. No boletim de 6 de outubro, o órgão indicava tendência de elevação em Porto Velho em 15 dias, caso a chuva prevista se confirmasse, e descrevia o movimento como "subir o nível lentamente". A subida foi além disso.
01O que mostram os boletins
No boletim de terça-feira, com leitura das 10h15 no horário de Rondônia, Porto Velho marcava 412,9 cm. A mediana para a data, calculada pelo SGB com o histórico da estação, é de 415,5 cm. Em 6 de outubro, o rio estava em 269 cm, contra mediana de 357,5 cm.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) acompanha a mesma estação, de código 15400000, com médias diárias. No boletim da agência de terça-feira, a série de Porto Velho foi de 243 cm na sexta-feira, 16, para 255 cm no sábado, 276 cm no domingo e 327 cm na segunda-feira, 19. No boletim de quarta-feira, 21, a terça aparece com 403 cm, e a leitura parcial de quarta chegava a 456 cm. Os valores são médias diárias, o do dia corrente é parcial, e a agência pode revisá-los.
A ANA usa 228 cm como referência de estiagem para Porto Velho, a chamada cota de 95% de permanência. Na sexta-feira, o Madeira estava 15 cm acima dela.
A Defesa Civil de Porto Velho mede a régua urbana. Segundo reportagem do Rondoniagora de segunda-feira, 19, que repercute o órgão, o rio marcou 2,46 metros na sexta e chegou a 3,15 metros na manhã de segunda, ainda 78 cm abaixo da média de outubro, de 3,93 metros. Pelos números da ANA e do SGB, o rio passou dessa marca na terça-feira, 20.
02De onde vem a água
O SGB informa que, na última semana, os níveis subiram nos postos monitorados da bacia, com exceção de Guajará-Mirim e Morada Nova Jusante. Na estação de Jirau Jusante, no Madeira, em Nova Mamoré (RO), o nível subiu 126 cm em sete dias e ficou acima da faixa de normalidade para a época. Na área da bacia acima de Porto Velho, choveram 15,5 milímetros na semana.
O boletim da ANA sobre a bacia do Madeira mostra o efeito rio abaixo. A vazão em Porto Velho passou de 4.571 metros cúbicos por segundo no sábado, 17, para 7.491 na quarta, na média do dia até as 9h15. Em Humaitá, no Amazonas, a régua foi de 10,14 metros para 10,86 metros no mesmo período, alta de 72 centímetros.
A jusante da cidade fica o trecho mais crítico da hidrovia, segundo o SGB. O segundo fica cerca de 100 quilômetros acima de Manicoré (AM). Para esses dois pontos, a simulação do órgão sugere elevação média de 1,20 metro na profundidade da lâmina d'água nos próximos 15 dias.
03O que vem pela frente
A previsão do SGB para Porto Velho segue sendo de "subir o nível lentamente". O modelo do órgão aponta tendência de elevação em 15 dias, com menos chuva na primeira semana, 14,5 milímetros previstos, e mais na segunda, 38,6 milímetros. Por isso, o boletim avisa que os níveis podem continuar a variar a partir da primeira metade do horizonte de previsão.
Previsão não é garantia. O SGB lembra que as previsões vêm de modelos hidrológicos e meteorológicos, estão sujeitas às incertezas deles e que é preciso acompanhar a chuva dos próximos dias e o efeito dela sobre o nível do rio.
04Tapajós ainda na estiagem
No Tapajós, o quadro é o oposto. Em Itaituba, onde fica o distrito de Miritituba e o transbordo da soja que chega pela BR-163, a ANA registrou 186 cm na sexta-feira, 16, e 166 cm na terça-feira, 20. A queda foi de 20 cm em quatro dias e perdeu ritmo na reta final: 172 cm no domingo, 169 cm na segunda e 166 cm na terça. A leitura parcial de quarta marcava 165 cm.
A referência de estiagem da ANA para Itaituba é de 215 cm. Com 166 cm, o rio está 49 cm abaixo dela. Rio abaixo, em Santarém (PA), a estação marcou 141 cm na terça, 30 cm acima da referência local, de 111 cm.
05O frete até os rios
Do lado da estrada, os números mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) são de agosto. No Boletim Logístico de setembro, a rota de Campo Novo do Parecis (MT) a Porto Velho, de 1.058 quilômetros, saiu a R$ 290 por tonelada, o mesmo valor de julho e 16,0% acima de agosto de 2025, quando custava R$ 250. Na mesma origem, a rota até Santos, em São Paulo, de 2.020 quilômetros, ficou em R$ 500 por tonelada.
Para o Tapajós, a rota de Sorriso (MT) a Miritituba, de 1.076 quilômetros, saiu a R$ 280 por tonelada em agosto, contra R$ 290 em julho. A Conab ressalta que a pesquisa é um indicativo coletado com o mercado, não um preço de referência.
De janeiro a agosto de 2026, o porto de Itacoatiara (AM), no Arco Norte, embarcou 5.166.903 toneladas de soja, 5,57% do que o país exportou, contra 5.207.312 toneladas no mesmo período de 2025, segundo a Conab.
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Fontes
Artigos
- ANA: Acompanhamento da Bacia do Rio Amazonas, boletim de 21/10/2026 Ler a matéria
- ANA: Acompanhamento da Bacia do Rio Amazonas, boletim de 20/10/2026 Ler a matéria
- ANA: Acompanhamento da Bacia do Rio Madeira, boletim de 21/10/2026 Ler a matéria
- Serviço Geológico do Brasil: Boletim hidrológico do Rio Madeira, 20/10/2026 Ler a matéria
- Serviço Geológico do Brasil: Boletim hidrológico do Rio Madeira, 06/10/2026 Ler a matéria
- Conab: Boletim Logístico de setembro de 2026 Ler a matéria
- Rondoniagora: Rio Madeira sobe para 3,15 metros, mas continua abaixo da média de outubro Ler a matéria
Fotos
- Capa: Henry Vagrant / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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