Ponto de Apoio
CombustívelPor Irisson Lima · 22 de set · 07h00 · leitura 5 min

Postos de Goiás dizem receber até 20% menos diesel do que pedem, e setor teme aperto no plantio de outubro

Sindicato de postos de Goiás relata corte médio de 15% a 20% nas entregas de diesel, mais forte nas rodovias, e teme outubro, mês de plantio e de maior consumo. Petrobras diz entregar todo o volume contratado; em Mato Grosso, setembro e outubro estão entre os meses de maior venda.

Corte nas entregas (GO)
até 20%
Importação prevista out.
120 mil m³
MT, set. e out. de 2025
781,1 mil m³

Postos de combustíveis de Goiás, estado vizinho de Mato Grosso, estão recebendo das distribuidoras menos diesel do que encomendam. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto-GO), em reportagem do Portal 6 publicada no domingo, 20 de setembro, o corte fica em média entre 15% e 20% dos pedidos e pesa mais nos postos de rodovia, que abastecem caminhões. O alerta chega às vésperas de outubro, mês de plantio da safra de verão e de maior consumo de diesel no país.

01O que os postos relatam

De acordo com o sindicato, as restrições aparecem nas bases de distribuição de Senador Canedo e do Jardim Novo Mundo, em Goiânia. Os cortes atingem postos de várias regiões do estado, mas são mais sentidos no interior.

A explicação está no perfil de venda. "É importante ressaltar que a percepção dessas dificuldades é mais no interior e de diesel, porque os postos de rodovia são onde tem a maior venda desse produto", disse o representante do Sindiposto-GO ouvido pela reportagem. Postos de cidade costumam fazer pedidos menores e, por isso, tendem a sentir menos a redução.

A falta de parte do volume veio acompanhada de preço mais alto. Segundo o sindicato, o diesel ficou cerca de R$ 0,50 por litro mais caro para os postos nas últimas semanas. As distribuidoras, ainda segundo a entidade, já teriam sinalizado que o fornecimento pode ter dificuldades no próximo mês. O Sindiposto-GO ressalta, porém, que não há neste momento indicação de desabastecimento generalizado no país.

02No Sul, cota de compra e estoque de precaução

Goiás não é o único estado com relatos. No Rio Grande do Sul, a coluna Acerto de Contas, do jornal Zero Hora, reproduzida em 18 de setembro pela Federação das Empresas de Transporte de Carga do Rio Grande do Sul (Fetransul), informou que as distribuidoras avisam aos postos que estão com cota de compra da Petrobras, onde o preço é menor.

Segundo o presidente do sindicato dos postos de combustíveis gaúchos, Fabricio Severo Braz, os postos de bandeira branca, que não têm contrato exclusivo com uma distribuidora, enfrentam mais dificuldade. O presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, relatou que as transportadoras estão comprando mais para garantir estoque, e que o preço subiu.

Dias antes, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) notificou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre "profunda preocupação com os novos relatos de restrições e atrasos na entrega de óleo diesel aos produtores rurais gaúchos", segundo a agência Reuters.

03O que dizem a Petrobras e a ANP

Em nota à Reuters, publicada em 16 de setembro, a Petrobras afirmou que as entregas das refinarias seguem o planejado. "A companhia está cumprindo integralmente suas obrigações junto às distribuidoras, entregando todo o volume contratado", disse a estatal. A empresa lembrou que o mercado também é atendido por distribuidores, importadores e outros produtores.

A ANP informou que, em contatos com a Petrobras e com as principais distribuidoras que atuam no Rio Grande do Sul, as entregas estavam ocorrendo normalmente, dentro dos volumes contratados, e que não havia identificado risco de desabastecimento no estado. Agentes do mercado ouvidos pela Reuters também descartam, por ora, risco de desabastecimento sistêmico.

Segundo a Reuters, a expectativa no mercado é de um quadro parecido com o de março, depois do início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, quando as grandes distribuidoras cumpriram os contratos, mas houve restrições pontuais.

04Por que outubro preocupa

O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Com o preço da Petrobras bem abaixo da cotação internacional, os importadores independentes adiaram compras. Pelos dados de programação de navios da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), estavam previstas para outubro importações de 120 mil m³ (metros cúbicos), cerca de 75% delas da própria Petrobras. Cada metro cúbico equivale a mil litros. Para setembro, a previsão era de 870 mil m³, perto do volume normal da época, de pouco mais de 1 milhão de m³.

A programação pode mudar nas próximas semanas. Mas a pressão sobre o mês é conhecida. "A demanda de outubro normalmente é maior do que a demanda de setembro", disse à Reuters o presidente da Abicom, Sérgio Araujo, lembrando que as refinarias do país já operam perto do limite.

Os números de venda da ANP mostram o peso do período. Em 2025, outubro foi o mês de maior venda de diesel no Brasil, com 6,43 milhões de m³.

05Mato Grosso no mesmo calendário

Nas fontes consultadas pelo Ponto de Apoio não há relato de corte nas entregas de diesel em Mato Grosso. Os dados a seguir mostram apenas o tamanho da demanda do estado nesse período.

Em Mato Grosso, setembro e outubro de 2025 somaram 781,1 mil m³ de diesel vendido, segundo a base aberta da ANP. Foram o terceiro e o quarto meses de maior venda do ano no estado, atrás apenas de julho e fevereiro, e ficaram acima da média mensal de 2025, de 354 mil m³.

A demanda do estado segue em alta em 2026. Entre janeiro e julho, Mato Grosso vendeu 3,4% mais diesel do que no mesmo período do ano passado. Só em julho foram 420,9 mil m³, o maior volume mensal do estado na série da ANP, iniciada em 1990. A página da base foi atualizada pela agência em 18 de setembro.

O que acompanhar. Os relatos de restrição vêm, por ora, de Goiás, sobretudo de postos de rodovia do interior, e do Rio Grande do Sul, onde entidades citam postos sem bandeira, transportadoras e produtores rurais. No sábado, 26 de setembro, deixa de valer a Medida Provisória (MP) nº 1.363/2026, que fixou a subvenção federal de R$ 1,12 por litro ao diesel, segundo a Agência Senado. A subvenção de R$ 1 por litro criada pela MP nº 1.391/2026 tem prazo de 30 dias, prorrogável, segundo a Agência Brasil.

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Fontes

Artigos

  • Portal 6: Postos alertam para cortes na entrega de diesel em Goiás Ler a matéria
  • InfoMoney (Reuters): Risco de restrição pontual de diesel volta ao radar Ler a matéria
  • Fetransul: Crise do diesel piora, Petrobras impõe cotas Ler a matéria
  • ANP: Vendas de derivados de petróleo e biocombustíveis (dados abertos) Ler a matéria
  • Agência Senado: Medida provisória estende subsídio para baratear diesel Ler a matéria
  • Agência Brasil: Petrobras aprova adesão à subvenção ao óleo diesel Ler a matéria

Fotos

  • Capa: Emerson Júnior Gonçalves da Silva Figueiredo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
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