
Diesel comum cai para 27,3% do diesel vendido em Mato Grosso, e não há data marcada para o fim dele
O diesel S-500, mais barato que o S-10, respondeu por 27,3% do diesel rodoviário vendido em Mato Grosso no primeiro semestre de 2026, contra 29,1% um ano antes. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acompanha a substituição a cada seis meses e decidiu não fixar, por ora, prazo para o fim do produto.
- S-500 em MT
- 27,3%
- S-500 no Brasil
- 27,2%
- Diferença no litro (MT)
- R$ 0,47
O diesel S-500, o comum, respondeu por 27,3% de todo o diesel rodoviário vendido em Mato Grosso entre janeiro e junho de 2026, contra 29,1% no mesmo período do ano passado. O cálculo é do Ponto de Apoio sobre a base aberta de vendas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e repete o método do indicador nacional que a agência divulgou na quinta-feira, 17 de setembro. Para quem roda no estado, o dado mostra que o diesel mais barato da bomba vem encolhendo, de um semestre para outro, sem que exista prazo marcado para o seu fim.
01O que a ANP divulgou
No comunicado de 17 de setembro, a agência informou que foram vendidos 9,02 milhões de metros cúbicos de S-500 no país no primeiro semestre, uma redução de 5,1% em relação ao mesmo período de 2025. A participação do produto nas vendas conjuntas de S-500 e S-10 ficou em 27,2%, ou 1,8 ponto percentual abaixo do semestre equivalente do ano anterior.
Segundo a ANP, houve queda da proporção de S-500 em todas as regiões do país. A agência atribui a substituição à renovação da frota de caminhões e ônibus, "equipados com tecnologias mais modernas", e aos investimentos em refino que "vêm ampliando a produção do diesel de menor teor de enxofre".
Esse acompanhamento é semestral por decisão da diretoria da ANP, tomada no ano passado.
02Mato Grosso no meio da tabela
O estado acompanha de perto a média nacional. A participação do S-500 nas vendas mato-grossenses caiu de 29,1% para 27,3% em um ano, recuo de 1,8 ponto percentual, praticamente o mesmo movimento do país.
Por trás do percentual há dois movimentos. As vendas de S-500 no estado caíram 2,5% no semestre, de 603,1 mil para 588,0 mil metros cúbicos. As de S-10 subiram 6,6%, de 1,47 milhão para 1,57 milhão de metros cúbicos. Ou seja, o diesel comum não desabou: ele recuou pouco enquanto o S-10 crescia.
Na comparação entre as 27 unidades da federação, Mato Grosso aparece em 12º lugar em participação do S-500, com os mesmos 27,3%. No topo está o Amazonas, onde o combustível responde por 60,5% do diesel vendido. Entre os vizinhos, Mato Grosso do Sul marca 30,9% e Goiás, 30,2%. Na outra ponta aparecem estados onde o produto virou exceção, como Pernambuco, com 1,5%.
Os números do estado saem da base aberta de vendas da própria ANP. Aplicado ao Brasil, o mesmo cálculo devolve os mesmos 9,02 milhões de metros cúbicos e a mesma participação de 27,2% que a agência publicou.
03O que a diferença vale no bolso
O S-500 continua saindo mais barato. Na série histórica semanal do levantamento de preços da ANP, na semana de 13 a 19 de setembro, o litro do diesel comum, que a agência pesquisa sob o nome de óleo diesel, custou em média R$ 7,00 em Mato Grosso, em 55 postos. O S-10 saiu a R$ 7,47, em 59 postos. A diferença é de R$ 0,47 por litro.
Aplicada a um abastecimento de 1.000 litros, essa diferença dá R$ 470. A conta é uma estimativa do Ponto de Apoio com as médias estaduais da semana: o valor real muda de posto para posto e conforme o contrato de quem compra em volume.
A vantagem, porém, só vale para quem pode usar o produto, e é esse ponto que explica a queda da fatia do S-500.
04Quem abastece com qual
Pela classificação da ANP, tanto o S-10 quanto o S-500 são óleo diesel de uso rodoviário, destinados a veículos automotivos, máquinas agrícolas, máquinas de construção e máquinas industriais. O S-1800, de teor mais alto de enxofre, é classificado como de uso não rodoviário, para mineração a céu aberto, transporte ferroviário e geração de energia elétrica.
A divisão prática veio com o motor. A Resolução nº 403, de 2008, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) criou a fase P-7 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), válida para veículos pesados novos a partir de 1º de janeiro de 2012, e tratou do combustível junto com a norma de emissões. Ao autorizar a ANP a especificar o combustível em margens diferentes das do anexo, o texto exige que se garanta "o teor de enxofre máximo de 10 ppm", as 10 partes por milhão que dão nome ao S-10. A resolução também determina que o plano de abastecimento da agência distribua o produto em postos que permitam "a um veículo da fase P-7 percorrer o território nacional sempre abastecendo com o Diesel especificado pela ANP".
Foi esse desenho que amarrou o caminhão novo ao S-10. Conforme a frota antiga sai de circulação, o S-500 perde consumidor.
05Por que não existe prazo para o fim
Poderia existir. A Resolução ANP nº 968, de 2024, mandou a própria agência montar, com os agentes do setor, um plano e um cronograma de descontinuidade do S-500 e do S-1800. O estudo chegou a outra conclusão.
Em setembro de 2025, a diretoria da ANP decidiu não intervir com cronograma obrigatório de descontinuidade "no momento". Segundo a agência, a retirada forçada dos combustíveis de alto teor de enxofre traria ganhos ambientais mais rápidos, mas "poderia causar impactos econômicos negativos, como o aumento no preço final do combustível e maior dependência de importações".
No lugar do prazo ficou o monitoramento: a Decisão de Diretoria nº 571, de 2025, determinou o acompanhamento semestral da evolução dos teores de S-500 e S-10, para verificar se a troca segue acontecendo sozinha. O dado divulgado agora é o mais recente dessa série, e ele mostra que sim.
Para o transportador, a leitura é direta: o S-500 não sai da bomba por decreto no curto prazo, mas fica mais raro conforme a frota se renova.
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Fontes
Artigos
- ANP: acompanhamento da participação do diesel S-500 Ler a matéria
- ANP: página do óleo diesel e decisão sobre a descontinuidade Ler a matéria
- ANP: estudo sobre a descontinuidade do S-500 e do S-1800 Ler a matéria
- ANP: vendas de óleo diesel por tipo, arquivo aberto que já traz os meses de 2026 Ler a matéria
- ANP: série histórica semanal do levantamento de preços, por estado Ler a matéria
- Conama: Resolução nº 403, de 2008, fase P-7 do Proconve Ler a matéria
Fotos
- Capa: Túllio F / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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