
Piso do frete sobe a partir desta quarta com diesel a R$ 7,33; valor por quilômetro aumenta de 1,87% a 3,29%
A Agência Nacional de Transportes Terrestres reajustou os pisos mínimos de frete com o diesel S10 a R$ 7,33, e a tabela nova vale desde 30 de setembro. O valor por quilômetro sobe de 1,87% a 3,29%, e frete fechado pela tabela antiga que fique abaixo do novo mínimo não gera o código da operação (CIOT).
- Diesel da tabela
- R$ 7,33
- Alta no valor por km
- de 1,87% a 3,29%
- Granel 7 eixos, 1.000 km
- R$ 9.051,94
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reajustou os pisos mínimos de frete do transporte rodoviário de cargas, e os novos valores valem a partir desta quarta-feira, 30 de setembro. A Portaria SUROC nº 22, de 28 de setembro, da Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (Suroc), saiu em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na terça-feira, 29. A tabela passa a usar o diesel S10 a R$ 7,33 por litro, no lugar dos R$ 6,97 adotados em julho.
Para quem contrata ou roda carga lotação em Mato Grosso, o efeito é imediato: um frete fechado pelo valor antigo pode ficar abaixo do novo mínimo a partir desta quarta.
01O que a portaria muda
O reajuste foi feito pelo gatilho do diesel, previsto no parágrafo 3º do artigo 5º da Lei 13.703, de 2018, com a redação dada pela Lei 15.485, de 2026. A regra manda a ANTT publicar novo piso quando o preço do combustível ao consumidor varia 5% ou mais, para cima ou para baixo, em até três dias úteis contados da divulgação oficial da variação.
A variação foi constatada na semana de 20 a 26 de setembro, quando o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apurou o S10 a R$ 7,33 na média do país, 5,2% acima da referência de julho. É esse o preço que a portaria adota.
A agência atualizou as quatro tabelas do piso:
- Tabela A: carga lotação com contratação do caminhão simples ou da composição veicular;
- Tabela B: carga lotação com contratação só da unidade de tração;
- Tabela C: carga lotação de alto desempenho com contratação do caminhão ou da composição;
- Tabela D: alto desempenho com contratação só da unidade de tração.
02Quanto subiu
O piso tem duas partes. Uma é o coeficiente de deslocamento, cobrado por quilômetro. A outra é o coeficiente de carga e descarga, um valor fixo por viagem.
Só a primeira mudou. Comparando linha a linha a portaria nova com a Resolução ANTT nº 6.084, de 16 de julho, que fixou os coeficientes da atualização de julho, o valor por quilômetro subiu de 1,87% a 3,29%, conforme a tabela, o tipo de carga e o número de eixos. O valor de carga e descarga ficou igual em todas as linhas.
As altas maiores estão na Tabela D, de 2,66% a 3,29%, em que o contratante paga só pelo cavalo mecânico em operação de alto desempenho. Na Tabela A, a alta vai de 1,87% a 2,60%.
A conta é do Ponto de Apoio, feita com os coeficientes publicados no DOU. Até a noite de terça-feira, 29, a ANTT não havia divulgado o reajuste médio por tabela, como fez em março.
03O exemplo do granel sólido
No granel sólido da Tabela A, uma composição de sete eixos carregados passa de R$ 8,0516 para R$ 8,2316 por quilômetro, alta de 2,24%. A carga e descarga continua em R$ 820,34.
Numa viagem de 1.000 km, o mínimo vai de R$ 8.871,94 para R$ 9.051,94, uma diferença de R$ 180,00, ou 2,0%.
Com nove eixos carregados, o coeficiente sobe de R$ 9,2231 para R$ 9,4318 por quilômetro. Nos mesmos 1.000 km, com R$ 908,91 de carga e descarga, o piso fica em R$ 10.340,71, R$ 208,70 acima do anterior.
O piso sobe menos que o diesel porque o combustível é só um dos custos da metodologia. A lei manda considerar também pneus, lubrificantes, manutenção, salários, encargos, seguros e o tempo de carga e descarga, entre outros. Em março, com o diesel 13,32% acima da referência anterior, o reajuste médio da Tabela A foi de 4,82%.
04Em Mato Grosso, a bomba fica acima da tabela
A referência do piso é a média nacional. Na mesma semana de 20 a 26 de setembro, a média do S10 em Mato Grosso ficou em R$ 7,62, segundo a ANP, 4,0% acima dos R$ 7,33 da tabela nova.
Nas sete cidades do estado pesquisadas pela agência, a média variou de R$ 7,40 em Rondonópolis a R$ 8,42 em Alta Floresta. Sorriso marcou R$ 7,79; Sinop, R$ 7,77; e Cuiabá, R$ 7,62.
Ou seja, o reajuste reduz, mas não elimina, a distância entre o diesel que o transportador de Mato Grosso paga e o diesel usado no cálculo do piso.
05O que muda na contratação
Na carga lotação, o piso é conferido na emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). Segundo a ANTT, se o valor do frete informado estiver abaixo do piso aplicável, o CIOT não é gerado.
Com a tabela nova em vigor, a conferência na emissão do CIOT deve passar a usar os coeficientes novos. Um frete negociado na semana passada com base na tabela de julho pode travar na emissão se ficar abaixo do mínimo atualizado.
Vale para os dois lados. A lei também manda reajustar o piso para baixo. Se o diesel cair 5% ou mais em relação aos R$ 7,33, a tabela terá de ser revista de novo.
Além do gatilho, a Lei 13.703, também com a redação da Lei 15.485, prevê a atualização ordinária do piso duas vezes por ano, até 20 de janeiro e até 20 de julho.
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Fontes
Artigos
- Diário Oficial da União: Portaria SUROC nº 22/2026 Ler a matéria
- Diário Oficial da União: Resolução ANTT nº 6.084/2026 Ler a matéria
- ANTT: como a regulação acompanha quem vive do transporte de cargas Ler a matéria
- Planalto: Lei 13.703/2018, com a redação da Lei 15.485/2026 Ler a matéria
- ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis, semana de 20 a 26 de setembro Ler a matéria
- ANTT: atualização do piso pelo diesel em março Ler a matéria
Fotos
- Capa: Agência CNT de Rodovias / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
O Carcaraz organiza notas, contratos e o acerto do motorista.
