
Furacão Isaías paralisa 63% da produção de petróleo no Golfo do México e ameaça refinarias dos EUA, origem de 73,7% do diesel importado pelo Brasil em setembro
O furacão Isaías parou cerca de 63% da produção de petróleo do Golfo do México americano e ameaça refinarias dos EUA, que venderam 73,7% do diesel importado pelo Brasil em setembro. O Brent subiu 4,07%, a US$ 104,28.
- Brent (8/10)
- US$ 104,28
- Petróleo parado no Golfo
- 63%
- Diesel importado dos EUA
- 73,7%
O furacão Isaías tirou de operação cerca de 63% da produção de petróleo do Golfo do México americano até o meio-dia de quinta-feira, 8 de outubro, e avança para a costa dos Estados Unidos (EUA), onde se concentra a maior parte do refino do país. O barril do Brent, referência internacional, fechou o dia em alta de 4,07%, a US$ 104,28. Para quem roda em Mato Grosso, o ponto de atenção é o diesel: os EUA venderam 73,7% do diesel que o Brasil importou em setembro.
01Onde está o furacão
No boletim das 19h de quinta-feira no horário central americano, 20h em Cuiabá, o último disponível no fechamento desta matéria, o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês) informou que o Isaías estava a cerca de 470 km ao sul da foz do rio Mississippi, com ventos sustentados de 155 km/h. Ele seguia para o nordeste a 20 km/h.
Segundo o centro, o furacão deve ganhar força até as primeiras horas desta sexta-feira, 9 de outubro, e tocar a terra no fim desta sexta ou no início de sábado, 10 de outubro. O alerta de furacão vai de Ocean Springs, no Mississippi, até a divisa entre os condados de Bay e Gulf, na Flórida.
02Produção parada no Golfo
A paralisação cresceu rápido. Na quarta-feira, 7 de outubro, os produtores do Golfo do México tinham suspendido 25,08% da produção de petróleo e 16,37% da de gás natural, segundo a Administração de Minerais Marinhos, agência federal americana, citada pelo BPMoney. Shell e Chevron reduziram as operações no mar.
Na quinta, por volta do meio-dia, a mesma agência contava cerca de 1,3 milhão de barris por dia parados, o equivalente a cerca de 63% da produção da região, segundo a rede CNN. No gás natural, a fatia fora de operação chegou a cerca de 57%.
Segundo a CNN, Shell, Chevron e BP retiraram das plataformas os funcionários que não são essenciais. O tamanho do estrago depende da trajetória e da força do furacão.
03O risco para as refinarias
O efeito que mais pesa para o diesel está em terra. Segundo Andy Lipow, presidente da consultoria Lipow Oil Associates, ouvido pela CNN, cerca de 2,7 milhões de barris por dia de capacidade de refino, 14% do total dos EUA, ficam dentro ou perto da rota prevista do Isaías. Ele espera que ao menos parte das refinarias das regiões de Nova Orleans e Baton Rouge, na Louisiana, e do Mississippi e do Alabama tenha de reduzir a produção de gasolina, diesel e querosene de aviação.
As previsões indicam que o furacão deve tocar a terra a leste de Nova Orleans, importante polo de refino, o que tende a poupar do pior a infraestrutura de energia. Ainda assim, segundo a CNN, mesmo um furacão de categoria 1 pode levar uma semana para que as refinarias voltem ao ritmo normal.
A margem é curta. De acordo com a CNN, as refinarias americanas operam a cerca de 95% da capacidade para compensar perdas causadas pela guerra no Oriente Médio, e os estoques de destilados, em sua maior parte diesel, estão no nível mais baixo para o início de outubro desde o começo da série, no início dos anos 1980.
Robert Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho Securities, disse à CNN que a perda de capacidade de refino nos EUA seria um desastre e, na prática, forçaria uma proibição da exportação de diesel. É uma avaliação de mercado, não uma medida anunciada pelo governo americano.
04Petróleo sobe com furacão e ataques
O furacão se somou à tensão no Golfo Pérsico. Na quarta-feira, o centro britânico de operações de comércio marítimo informou que um navio-tanque foi atingido por vários projéteis ao norte do Catar, segundo o Estadão Conteúdo, reproduzido pelo Diário do Grande ABC.
Na quinta, o Brent para dezembro fechou em alta de 4,07%, ou US$ 4,08, a US$ 104,28 o barril, na bolsa de Londres. O petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) para novembro subiu 3,64%, a US$ 91,49, em Nova York.
05O que isso quer dizer para o diesel em Mato Grosso
Os EUA são hoje o maior fornecedor de diesel ao Brasil. Em setembro, o Brasil importou 1,30 milhão de metros cúbicos de diesel, e 957,3 mil vieram dos EUA, ou 73,7% do total, segundo o Comex Stat, a base de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Índia, Omã e Rússia responderam por quase todo o restante.
Uma parada longa nas refinarias da costa do Golfo reduz a oferta justamente no maior fornecedor do diesel que o Brasil compra de fora.
No preço da bomba, o efeito não é automático. A subvenção federal ao diesel, de R$ 2,12 por litro, segue em vigor: o Ministério da Fazenda a prorrogou por 30 dias por portaria publicada no fim de setembro, segundo o Correio Braziliense. No levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) da semana de 27 de setembro a 3 de outubro, o diesel S10 custou em média R$ 7,70 em Mato Grosso.
Nos próximos dias, ficam no radar o ponto exato em que o Isaías vai tocar a terra, os primeiros balanços das refinarias da Louisiana, do Mississippi e do Alabama e o novo levantamento semanal da ANP.
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Fontes
Artigos
- NHC: Hurricane Isaias Intermediate Advisory 9A Ler a matéria
- CNN: A hurricane could cripple US refining when the world can least afford it Ler a matéria
- BPMoney: Petróleo salta 4% com temor sobre oferta no Oriente Médio e furacão nos EUA Ler a matéria
- Diário do Grande ABC: Petróleo fecha em alta de 4% com ataques no Oriente Médio Ler a matéria
- Comex Stat: importação de óleo diesel, NCM 27101921 Ler a matéria
- Correio Braziliense: Governo prorroga subsídio sobre o diesel por mais 30 dias Ler a matéria
- ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis Ler a matéria
Fotos
- Capa: WClarke / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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