Ponto de Apoio
CombustívelPor Irisson Lima · 08 de out · 07h00 · leitura 4 min

Brasil importa 26,7% menos diesel em setembro e paga 51,4% mais em dólar; EUA vendem 73,7%

O Brasil importou 26,7% menos diesel em setembro do que um ano antes, mas gastou 51,4% mais em dólar, segundo o Comex Stat. Os Estados Unidos venderam 73,7% do volume, ante 45,7% um ano antes.

Queda do volume (set)
26,7%
Alta do gasto em dólar
51,4%
Fatia dos EUA
73,7%

O Brasil trouxe de fora 26,7% menos diesel em setembro do que no mesmo mês de 2025, mas gastou 51,4% mais em dólar com o produto. Os números são do Comex Stat, a base de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que divulgou a balança comercial de setembro na terça-feira, 6 de outubro. Para quem roda em Mato Grosso, o dado mostra um diesel importado mais caro e mais concentrado num só fornecedor, os Estados Unidos (EUA), no início do plantio da safra de verão.

01Menos volume, conta maior

Em setembro, as importações de óleo diesel (código 27101921 da Nomenclatura Comum do Mercosul) somaram 1,30 milhão de metros cúbicos (m³), contra 1,77 milhão em setembro de 2025. Em peso, a queda foi de 26,5%.

O valor pago andou no sentido contrário. O país desembolsou US$ 1,50 bilhão pelo diesel importado no mês, contra US$ 990,6 milhões um ano antes. O valor é o preço no embarque, sem frete marítimo nem seguro.

Dividindo o gasto pelo volume, o litro importado custou em média US$ 1,15 no embarque em setembro. Em setembro de 2025, tinha custado US$ 0,56. O preço do produto trazido de fora mais que dobrou em um ano. A conta é do Ponto de Apoio, feita com os totais do Comex Stat.

Na comparação com agosto, o volume de setembro foi maior. Em peso, o país importou 1,079 milhão de toneladas em setembro, 5,9% acima de agosto. A comparação em metros cúbicos com agosto não foi feita porque o dado do mês anterior na base está incoerente com o peso.

02Quem vendeu o diesel

Os EUA responderam por 73,7% do volume importado em setembro, com 957,3 mil m³. Um ano antes, a fatia americana era de 45,7%. Em volume, as compras do diesel americano cresceram 18,1%.

Atrás dos EUA vieram a Índia, com 11,3%, Omã, com 9,2%, e a Rússia, com 5,8%. O diesel russo, que em setembro de 2025 respondia por 27,1% das compras, caiu 84,3% em volume, para 75,3 mil m³.

Outro fornecedor sumiu da lista. A Arábia Saudita, que vendeu 210,2 mil m³ de diesel ao Brasil em setembro de 2025, não aparece entre as origens de setembro de 2026.

03Por que isso importa para quem roda

A troca de fornecedores aumenta a dependência de um único país. Como o Ponto de Apoio mostrou no domingo, 4 de outubro, o presidente americano, Donald Trump, chegou a dizer no fim de setembro que considerava vetar a exportação de diesel dos EUA, e depois descartou a ideia. Com quase três quartos do diesel importado vindo de lá, uma mudança de política em Washington atinge hoje uma parcela maior do diesel que o Brasil compra de fora do que há um ano.

O petróleo segue caro. Na quarta-feira, 7 de outubro, o barril do tipo Brent, referência internacional, caiu 0,38% e fechou a US$ 100,20 na bolsa de Londres, segundo o BPMoney.

O governo afirmou que o abastecimento de diesel S10 em outubro está coberto. "Todas essas importações já estão confirmadas para garantir o abastecimento e completar a oferta necessária para atender à demanda neste mês de outubro", disse o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Renato Dutra, em coletiva em Brasília na segunda-feira, 28 de setembro.

04A subvenção federal

Parte do custo é amortecida por uma subvenção que o governo federal paga a refinarias e importadores. Segundo o jornal O Tempo, o valor é de R$ 2,12 por litro desde 15 de setembro, e a Portaria 2.946 do Ministério da Fazenda manteve esse valor de 27 de setembro a 26 de outubro, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias.

Mesmo com a ajuda, o preço nas bombas de Mato Grosso subiu. No levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) da semana de 27 de setembro a 3 de outubro, o diesel S10 custou em média R$ 7,70 no estado, alta de 1,0% sobre a semana anterior. A média nacional foi de R$ 7,35.

05O que acompanhar

A próxima data a observar é segunda-feira, 26 de outubro, quando vence a portaria que mantém a subvenção de R$ 2,12 por litro. A renovação ou não da ajuda pesa diretamente no preço do diesel vendido às distribuidoras.

Os dados de importação de outubro devem sair no início de novembro, também pelo Comex Stat. Eles vão mostrar se a dependência dos EUA continua acima de 70% e se o volume importado acompanhou a demanda do plantio.

Para quem negocia frete de longo prazo, o quadro de setembro ajuda a entender por que o preço do diesel segue sensível a decisões tomadas fora do país, mesmo com a subvenção federal em vigor.

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Fontes

Artigos

  • MDIC: Comex Stat, importação de gasóleo (óleo diesel), NCM 27101921 Ler a matéria
  • MDIC: MDIC divulga balança comercial de setembro de 2026 Ler a matéria
  • O Tempo: Diesel sobe até 44 centavos em Minas mesmo com subsídio de R$ 2,12 por litro Ler a matéria
  • Minaspetro: Governo afirma que abastecimento de diesel S-10 está garantido em outubro Ler a matéria
  • BPMoney: Petróleo recua com tensão no Oriente Médio e surpresa nos estoques dos EUA Ler a matéria
  • ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis Ler a matéria

Fotos

  • Capa: Quintin Soloviev / Wikimedia Commons (CC0)
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