
Frete de grãos de Sorriso a Paranaguá fica 9,1% mais caro em um ano, e o de Sorriso a Miritituba, 12,5% mais barato
Boletim da Conab mostra que o frete de grãos saindo de Mato Grosso recuou em agosto em 22 de 25 rotas, mas ficou firme para a época, sustentado pelo milho. No ano, a maioria das rotas para Santos e Paranaguá sobe, e as para os portos do Pará e do Maranhão caem.
- Alta Sorriso-Paranaguá
- 9,1%
- Queda Sorriso-Miritituba
- 12,5%
- Rotas em queda no mês
- 22 de 25
O frete rodoviário de grãos saindo de Mato Grosso recuou em agosto, mas ficou acima do que se espera para essa época do ano. Foi o que mostrou o Boletim Logístico de setembro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na quarta-feira, 30 de setembro. Nas rotas com origem no estado acompanhadas pela companhia, 22 de 25 ficaram mais baratas que em julho, 3 ficaram estáveis e nenhuma subiu. Na comparação com agosto de 2025, porém, a maior parte das rotas para Santos e Paranaguá está mais cara, e todas as rotas para os portos do Pará e do Maranhão, mais baratas.
Para quem roda ou contrata frete de grãos no estado, o boletim mostra que agosto não derrubou o preço como nos anos anteriores. O motivo, segundo a Conab, é o milho.
01Agosto teve queda leve, longe das quedas de outros anos
Segundo o boletim, os fretes "mantiveram-se firmes em Mato Grosso, em um patamar considerado elevado para agosto, onde maiores quedas seriam esperadas". A Conab compara o mês com agosto de 2025 e de 2024, quando as quedas foram mais fortes. Neste ano, os valores ficaram próximos da estabilidade, com leve redução.
Segundo a Conab, as maiores quedas foram nas rotas de maior quilometragem. A de Sorriso a Santarém, no Pará, foi a que mais caiu: 7,5%, de R$ 400,00 para R$ 370,00 por tonelada. Alguns trechos mantiveram o preço: de Primavera do Leste a Rio Verde e a São Simão, em Goiás, o valor não mudou de julho para agosto.
02Rotas para Santos e Paranaguá sobem no ano, as do Pará caem
No comparativo com agosto de 2025, 10 rotas ficaram mais caras, 1 ficou igual e 14 ficaram mais baratas.
As rotas que levam aos portos de Santos e de Paranaguá subiram em quatro das cinco origens acompanhadas. Entre elas:
- Sorriso a Paranaguá: R$ 480,00 por tonelada, alta de 9,1% em um ano.
- Sorriso a Santos: R$ 490,00 por tonelada, alta de 6,5%.
- Primavera do Leste a Paranaguá: R$ 400,00 por tonelada, alta de 11,1%.
- Rondonópolis a Paranaguá: R$ 380,00 por tonelada, alta de 8,6%.
- Campo Novo do Parecis a Santos: R$ 500,00 por tonelada, alta de 7,5%.
A exceção é Querência: o frete de lá até Santos caiu 2,2% em um ano, para R$ 450,00 por tonelada. A maior alta anual da tabela foi a de Campo Novo do Parecis a Porto Velho, em Rondônia: 16,0%, de R$ 250,00 para R$ 290,00 por tonelada, sem mudança de julho para agosto.
Na direção dos portos do Pará e do Maranhão, o movimento foi o oposto. O frete de Sorriso a Miritituba, no Pará, ficou em R$ 280,00 por tonelada, queda de 12,5% em um ano. De Sorriso a Santarém, a queda anual foi de 9,8%. De Querência a Barcarena, também no Pará, de 4,7%, para R$ 410,00 por tonelada. E de Querência a São Luís, no Maranhão, de 2,1%.
O boletim não explica a diferença entre os dois destinos. A própria Conab avisa, na tabela, que a pesquisa "não se propõe a definir preço referencial de mercado": é um indicativo obtido por coleta de informações.
03O milho segura o preço do frete
A explicação da Conab para os valores firmes está no mercado estadual de milho. Em safras anteriores, o preço do cereal caía muito na colheita, o que travava novos negócios e limitava os embarques aos contratos já fechados. Neste ano, o preço do milho já acumula valorização de mais de 20% desde a colheita, o que, segundo o boletim, destravou as vendas e aumentou a procura por caminhão.
A safra também pesa. Mato Grosso colheu mais de 57 milhões de toneladas de milho, um recorde, e boa parte ainda precisa ser escoada antes da próxima soja, que começou a ser semeada em setembro e tem a maior parte da colheita prevista para janeiro e fevereiro de 2027.
Outra mudança é o destino do milho. A soja segue sendo basicamente exportada, mas o milho já não tem no mercado externo o principal destino. As usinas de etanol de milho, que se multiplicaram no estado, devem consumir mais de 16 milhões de toneladas nesta temporada, segundo a Conab. Somadas à alimentação animal, elas criam uma demanda mais espalhada, que reduz a dependência das oscilações da exportação. Para a Conab, essa diversidade tende a dar mais estabilidade ao preço do frete no longo prazo.
04Viagem curta ganha espaço na frota
O boletim aponta um efeito direto na operação. Com mais opções de transbordo e de viagens curtas para o mercado interno, as transportadoras passaram a ter trajetos com mais giro da frota e "menor tempo em fila". Isso, segundo a Conab, incentiva a alocação de caminhões nesses trechos, em detrimento das rotas tradicionais, que têm mais gargalos.
05O que esperar até a colheita da soja
A Conab prevê que o quadro continue nos próximos meses, com embarques aquecidos e demanda por transporte, por causa do volume de milho que ainda falta escoar em 2026.
O peso de Mato Grosso no comércio exterior ajuda a dimensionar a demanda. No período analisado pelo boletim, o estado respondeu por 64,1% das exportações brasileiras de milho e por 14,4% das de soja.
No país, de janeiro a agosto, as exportações de soja somaram 92,7 milhões de toneladas, alta de 7% sobre 2025. As de milho ficaram em 14,5 milhões de toneladas, recuo de 7,9%. Os portos do Arco Norte embarcaram 48,98% do milho exportado e 38,85% da soja. Santos ficou com 27,08% do milho e 34,42% da soja.
De onde vêm os números. Os valores são de agosto de 2026, em reais por tonelada, coletados pela superintendência da Conab em Mato Grosso nas 25 rotas monitoradas a partir de Sorriso, Primavera do Leste, Rondonópolis, Campo Novo do Parecis e Querência.
Essa matéria ajuda alguém que roda com você? Compartilhe.
Fontes
Artigos
- Conab: Boletim Logístico, setembro de 2026 Ler a matéria
- Conab: Fretes agrícolas recuam nas principais praças, mas mantêm alta no ano Ler a matéria
- Conab: Boletins logísticos de 2026 Ler a matéria
Fotos
- Capa: Roosevelt Pinheiro / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)
O Carcaraz organiza notas, contratos e o acerto do motorista.
