
Frete de grãos sobe em 13 de 25 rotas de Mato Grosso em setembro, e Sorriso a Santos chega a R$ 500,00 por tonelada
Frete rodoviário de grãos sobe em setembro em 13 das 25 rotas de Mato Grosso acompanhadas pela Conab, com alta de até 6,3% em plena entressafra, puxado pelo milho segunda safra, e a companhia projeta cotações firmes nos próximos meses.
- Sorriso a Santos (t)
- R$ 500,00
- Maior alta no mês
- 6,3%
- Rotas em alta (MT)
- 13 de 25
O frete rodoviário de grãos com origem em Mato Grosso subiu em setembro em mais da metade das rotas acompanhadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com alta de até 6,3% no mês. O dado está na edição de outubro do Boletim Logístico, divulgada na terça-feira, 27 de outubro. Em pleno período de entressafra, quando a queda seria o esperado, o escoamento do milho segunda safra segurou as cotações, e a Conab projeta preços ainda elevados nos próximos meses.
Das 25 rotas da tabela de Mato Grosso, 13 ficaram mais caras de agosto para setembro, 8 não mudaram e 4 ficaram mais baratas, pela contagem do Ponto de Apoio sobre os números do boletim.
01Sorriso puxa as altas
A rota de Sorriso ao Porto de Santos (SP), com 1.961 km, passou de R$ 490,00 para R$ 500,00 por tonelada, alta de 2,0% no mês e de 4,2% em doze meses. Para Paranaguá (PR), a 2.128 km, o frete foi de R$ 480,00 para R$ 490,00, alta de 2,1%.
A maior alta mensal do estado também saiu de Sorriso. O trecho até Rondonópolis, de 576 km, passou de R$ 160,00 para R$ 170,00 por tonelada, aumento de 6,3%. A ida a Alto Araguaia subiu 2,4%, para R$ 210,00.
Nas rotas de Sorriso para os portos do Pará, o movimento foi outro. De Sorriso a Miritituba (PA), o frete ficou parado em R$ 280,00 por tonelada, 6,7% abaixo de setembro de 2025. Até Santarém (PA), caiu 2,7% no mês, para R$ 360,00.
Em outras origens, Querência teve alta de 5,6% no frete até Araguari (MG), que chegou a R$ 285,00, e de 3,7% até Colinas (TO), para R$ 280,00. De Rondonópolis a Uberaba (MG), a tonelada subiu 4,3%, para R$ 240,00. A maior queda mensal foi no trecho curto entre Primavera do Leste e Rondonópolis, de 129 km, que recuou 5,6%, para R$ 85,00.
02As maiores altas em doze meses
No comparativo com setembro de 2025, duas rotas se destacam. O frete de Campo Novo do Parecis a Porto Velho (RO) passou de R$ 245,00 para R$ 290,00 por tonelada, alta de 18,4%. O de Primavera do Leste a São Simão (GO) foi de R$ 200,00 para R$ 235,00, aumento de 17,5%.
Na outra ponta, seis rotas estavam mais baratas que um ano antes. As maiores quedas foram de Sorriso a Miritituba, de 6,7%, de Primavera do Leste a Rondonópolis, de 5,6%, e de Sorriso a Santarém, de 5,3%. Primavera do Leste a Alto Araguaia caiu 4,0%, Querência a Rio Verde (GO), 2,5%, e Querência a Santos, 2,2%, para R$ 450,00 por tonelada.
03Por que o frete não caiu na entressafra
Segundo a Conab, a explicação está no milho. A segunda safra colhida em Mato Grosso nesta temporada, recorde, ficou perto de 58 milhões de toneladas, um volume grande a escoar até a chegada da próxima soja, no início do ano que vem.
O boletim afirma que, nos meses de colheita e logo depois, os preços estavam muito baixos, o que travou o mercado e limitou os embarques a volumes pontuais e já comprometidos. "A gradativa inflação do cereal destravou o mercado, proporcionando maiores negócios e, consequentemente, demanda por transporte", diz o texto.
O consumo dentro do estado também pesa. A Conab estima que cerca de 23 milhões de toneladas de milho de Mato Grosso vão para o mercado interno, 16 milhões delas só para a produção de etanol, e que esse consumo praticamente dobrou nos últimos cinco anos. Com isso, cresce o fluxo para trechos mais curtos, até indústrias espalhadas pelo estado e até terminais de descarga e transbordo que chegam mais perto da lavoura. No país, o primeiro levantamento da safra 2026/27, divulgado pela companhia em 15 de outubro, prevê alta de 6,6% no consumo interno de milho, puxada pelo uso do cereal no etanol.
Esse desenho explica por que as cotações até terminais de descarga, e também até Santos e Paranaguá, se mantiveram ou caíram menos nos últimos meses, enquanto portos distantes e com menos fluxo, como Santarém, tiveram queda mais forte num recorte de três meses. Para a Conab, o mercado está em "lateralidade em um patamar de preços relativamente elevado".
04O que esperar nos próximos meses
Com muito milho ainda por transportar, o boletim projeta frete firme. Para a Conab, "a tendência é de manutenção no suporte das cotações dos fretes rodoviários para os próximos meses".
O documento traz ainda um alerta para 2027. A companhia constatou redução no volume de fertilizantes importados para Mato Grosso, por causa dos preços altos dos insumos. Na avaliação da Conab, o produtor não deve necessariamente reduzir a área plantada, mas deve cortar investimentos, o que pode diminuir o potencial das lavouras e gerar menos grãos para escoar no primeiro semestre do ano que vem.
05O quadro no país
No restante do país, o boletim aponta fretes pressionados em setembro pelo preço dos combustíveis e pelo transporte de insumos para o plantio da safra 2026/27. Em Mato Grosso do Sul, o movimento foi de queda, de até 11,9% entre São Gabriel do Oeste e o Porto de Paranaguá.
As exportações de soja somaram 100,1 milhões de toneladas de janeiro a setembro, 6,69% acima do mesmo período de 2025. As de milho chegaram a 19,6 milhões de toneladas, queda de 15,69%. Os portos do Arco Norte responderam por 51,22% dos embarques de milho e 38,66% dos de soja no acumulado do ano.
Como ler os números. Os valores são uma coleta mensal feita pela Conab em Mato Grosso nas rotas mais relevantes do estado. A própria companhia avisa que a pesquisa não define preço de referência de mercado. Serve para acompanhar a tendência, não como tabela de negociação.
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Fontes
Artigos
- Conab: Boletim Logístico, outubro de 2026 Ler a matéria
- Conab: Preço dos combustíveis e demanda por insumos influenciam fretes agrícolas em setembro Ler a matéria
- Conab: 1º levantamento da safra de grãos 2026/27 Ler a matéria
Fotos
- Capa: Tiago F. Boaventura / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
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