Ponto de Apoio
FretePor Irisson Lima · 22 de set · 07h00 · leitura 5 min

Frete de fertilizante até Sorriso fica 17,2% mais caro em um ano, e o de grãos para Miritituba cai 6,4%

Boletim do Imea mostra o frete de fertilizante de Rondonópolis a Sorriso a R$ 156,75 por tonelada, 17,2% acima de um ano antes, e o de grãos até Miritituba a R$ 283,75, 6,4% abaixo. A média nacional do diesel está 2,3% acima da referência do piso; o reajuste obrigatório só vem com variação de 5%.

Fertilizante até Sorriso
R$ 156,75
Grãos até Miritituba
R$ 283,75
Diesel Brasil x piso
2,3%

Levar fertilizante de Rondonópolis a Sorriso custava R$ 156,75 por tonelada na semana de 7 a 11 de setembro, 17,2% a mais que na mesma semana de 2025. No mesmo período, o frete de grãos de Sorriso ao porto de Miritituba, no Pará, ficou em R$ 283,75 por tonelada, 6,4% abaixo de um ano antes. Os valores são do boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) publicado na segunda-feira, 14 de setembro; a comparação usa o boletim de 15 de setembro de 2025.

A distância entre as duas cotações diminuiu. Há um ano, a tonelada de grão para o norte pagava R$ 169,25 a mais que a tonelada de fertilizante de Rondonópolis a Sorriso. Agora, a diferença é de R$ 127,00. Para quem roda com graneleiro em Mato Grosso, a entressafra deste ano paga menos na rota dos grãos e mais na rota dos insumos.

01O que o Imea mediu

O Imea acompanha as duas rotas toda semana e publica os valores nos boletins de soja e de milho. Nas cinco semanas entre meados de agosto e a primeira quinzena de setembro, as curvas andaram em sentidos opostos.

  • Grãos, de Sorriso a Miritituba: R$ 291,25 por tonelada na semana de 10 a 14 de agosto, R$ 290,00 no fim de agosto, R$ 285,00 na primeira semana de setembro e R$ 283,75 na semana de 7 a 11 de setembro. Queda de 2,6% no período.
  • Fertilizante, de Rondonópolis a Sorriso: R$ 146,25 por tonelada na semana de 10 a 14 de agosto, R$ 155,00 no fim de agosto e R$ 156,75 nas duas semanas seguintes. Alta de 7,2% no mesmo intervalo.

Na comparação com a semana de 9 a 13 de março, ainda na colheita, a queda do frete de grãos é maior. Naquela semana, o Imea registrou R$ 336,67 por tonelada de Sorriso a Miritituba. O valor atual está 15,7% abaixo. O frete de fertilizante fez o caminho inverso: estava em R$ 140,23 naquela semana de março e subiu 11,8% desde então.

O boletim não explica a causa das variações. Ele registra, na análise da soja, que o vazio sanitário terminou no domingo, 6 de setembro, e que a semeadura da safra 2026/27 começou em Mato Grosso de forma gradual, com os trabalhos a campo em ritmo inicial.

02Como anda a comercialização

Os mesmos boletins mostram em que pé está a comercialização da safra. Segundo o Imea, 96,90% da safra 2025/26 de soja de Mato Grosso já estava comercializada em setembro, e as exportações do grão pelo estado somaram 1,41 milhão de toneladas em agosto, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O milho segue em outro ritmo. O estado exportou 2,99 milhões de toneladas do cereal em agosto, contra 1,58 milhão em julho, e 74,63% da safra 2025/26 estava vendida em setembro. Para a próxima temporada de soja, o Imea projeta 48,88 milhões de toneladas em Mato Grosso, com 39,12% já negociados antecipadamente.

03Diesel acima da referência, e o piso não muda

A queda do frete de grãos acontece com o diesel acima do preço usado na tabela do piso. No levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) da semana de 13 a 19 de setembro, o diesel S10 custou em média R$ 7,47 por litro em Mato Grosso, R$ 7,55 em Sorriso e R$ 7,31 em Rondonópolis. A média nacional ficou em R$ 7,13.

O diesel entra no cálculo do piso mínimo do frete, mas a alta ainda não basta para obrigar uma tabela nova. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o preço de referência do diesel S10 na atualização de julho, feita pela Resolução ANTT nº 6.084, publicada na sexta-feira, 17 de julho, é de R$ 6,97 por litro. A média nacional da ANP está 2,3% acima dessa referência.

A Lei nº 15.485, de 5 de agosto, manda a ANTT publicar o reajuste dos pisos quando o preço do combustível variar 5% ou mais, para cima ou para baixo, no prazo de até três dias úteis contado da divulgação oficial da variação. Com a referência de R$ 6,97, a conta chega a 5% quando a média nacional atingir R$ 7,32. A mesma lei fixa duas atualizações por ano, até 20 de janeiro e até 20 de julho.

O gatilho olha a média do país, não a do estado: a lei manda considerar os preços dos combustíveis apurados no mercado nacional. O diesel de Mato Grosso já está 7,2% acima da referência da tabela, mas isso não basta para mudar o piso enquanto a média nacional não subir.

04O que acompanhar

Para quem contrata ou roda frete em Mato Grosso, três números ajudam a ler as próximas semanas.

  • O boletim semanal do Imea, publicado às segundas-feiras às 17h, com as duas rotas.
  • A média nacional do diesel S10 no levantamento semanal da ANP. Se ela chegar a R$ 7,32, a variação atinge 5% e a lei manda a ANTT publicar pisos novos.
  • O valor do frete registrado no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). Nas operações de carga lotação, a ANTT informa que o CIOT não é gerado quando o valor informado fica abaixo do piso aplicável.

Frete de mercado e piso são coisas diferentes. O valor medido pelo Imea é o que o mercado paga na rota. O piso da ANTT é o mínimo por quilômetro e por eixo carregado, que vale mesmo quando o mercado cai. Frete de grãos em queda não autoriza contratar abaixo da tabela nas operações sujeitas ao piso.

Essa matéria ajuda alguém que roda com você? Compartilhe.

Fontes

Artigos

Fotos

  • Capa: Roosevelt Pinheiro / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)
Bota isso no automático

O Carcaraz organiza notas, contratos e o acerto do motorista.

Testar o Carcaraz