
Diesel fica 0,4% acima do preço usado no piso do frete, e nova tabela só sai se a média do país chegar a cerca de R$ 7,70 ou cair a R$ 6,96
Média nacional do diesel S10 ficou em R$ 7,36 na semana de 4 a 10 de outubro, 0,4% acima dos R$ 7,33 usados no piso do frete desde 30 de setembro. Em Mato Grosso o litro custou R$ 7,66, mas o gatilho de 5% da lei olha a média do país.
- Diesel S10 (Brasil)
- R$ 7,36
- Referência do piso
- R$ 7,33
- Diesel S10 (Mato Grosso)
- R$ 7,66
O preço médio do diesel S10 no Brasil ficou em R$ 7,36 por litro na semana de 4 a 10 de outubro, segundo o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). É 0,4% acima dos R$ 7,33 que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) usa desde 30 de setembro para calcular o piso mínimo do frete. Em Mato Grosso, o mesmo combustível custou em média R$ 7,66, ou 4,5% acima da referência. Mas o gatilho que obriga a ANTT a refazer a tabela olha a média nacional, e ela ainda está longe dos 5% que a lei exige.
Para quem contrata ou vende frete no estado, o dado indica que a tabela publicada no fim de setembro tende a continuar valendo enquanto o preço nacional não se mover bem mais do que se moveu nas duas últimas semanas.
01A referência de R$ 7,33
O piso em vigor saiu da Portaria SUROC nº 22, de 28 de setembro de 2026, da Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas da ANTT. Segundo a agência, a portaria foi publicada em 29 de setembro e entrou em vigor no dia seguinte, 30 de setembro.
A portaria fixou como preço do combustível R$ 7,33 por litro, "referente à semana de 20/09 a 26/09 de 2026. Diesel (S10), média Brasil". A ANTT explicou que não se tratou da revisão semestral, e sim de uma reação à variação do diesel.
Para o granel sólido, os coeficientes da Tabela A, de carga lotação em que se contrata a composição veicular ou o caminhão simples, ficaram assim para a composição de 9 eixos: R$ 9,4318 por quilômetro de deslocamento e R$ 908,91 de carga e descarga. Na de 7 eixos, R$ 8,2316 por quilômetro e R$ 820,34 de carga e descarga.
02O que diz a lei sobre o gatilho
A Lei 13.703, de 2018, que criou a política de pisos mínimos, foi alterada pela Lei 15.485, de 2026. Pela redação atual do parágrafo 3º do artigo 5º, a ANTT deve publicar o reajuste dos pisos quando houver "oscilação igual ou superior a 5% (cinco por cento), para mais ou para menos, no preço dos combustíveis ao consumidor final". O prazo para a publicação é de até três dias úteis contados da divulgação oficial da variação.
A mesma lei manda considerar os preços dos combustíveis apurados no mercado nacional. Por isso, e porque a própria Portaria SUROC nº 22 usa a média Brasil da ANP como referência, a conta que vale é a nacional, e não a de cada estado.
Com a referência em R$ 7,33, uma alta de 5% leva a R$ 7,6965, e uma queda de 5% leva a R$ 6,9635. Como a ANP divulga o preço com duas casas, na prática a média nacional teria de chegar a cerca de R$ 7,70 para o piso subir, ou cair a cerca de R$ 6,96 para ele baixar. Na semana de 4 a 10 de outubro, ela estava R$ 0,34 abaixo do primeiro limite e R$ 0,40 acima do segundo.
03Como o diesel andou desde a portaria
Nas três semanas de levantamento da ANP, contando a da referência, a média nacional quase não saiu do lugar: R$ 7,33 de 20 a 26 de setembro, R$ 7,35 de 27 de setembro a 3 de outubro e R$ 7,36 de 4 a 10 de outubro.
Em Mato Grosso, o preço médio foi de R$ 7,62, R$ 7,70 e R$ 7,66 nas mesmas semanas. Na última, a ANP pesquisou 53 postos no estado, com preço mínimo de R$ 7,19 e máximo de R$ 8,95.
Entre os municípios pesquisados, o diesel S10 mais caro da semana ficou em Alta Floresta, com média de R$ 8,42. Sinop marcou R$ 7,88 e Sorriso, R$ 7,87. Na outra ponta, Rondonópolis e Cáceres ficaram em R$ 7,49. Cuiabá registrou R$ 7,63 e Várzea Grande, R$ 7,68.
Diferença que não entra na conta. O piso usa o mesmo preço de diesel para todo o país. Quem abastece no norte de Mato Grosso paga hoje mais do que a média usada no cálculo, e essa diferença não muda a tabela.
04O que conferir na contratação
Enquanto a média nacional não cruzar os limites, os coeficientes da Portaria SUROC nº 22 continuam sendo a base do valor mínimo de cada viagem. O cálculo pode ser feito na calculadora oficial da ANTT, com tipo de carga, número de eixos e distância.
A lei também determina que a ANTT adote providências para suspender a geração do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) quando o valor estiver em desconformidade com o piso, e que o CIOT seja vinculado ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). A regra liga o valor combinado ao registro de cada operação.
Se a média nacional chegar a 5% de variação, a lei dá à ANTT até três dias úteis para publicar a nova tabela. Por isso, vale acompanhar o levantamento da ANP a cada semana, e não só o preço na bomba da região.
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Fontes
Artigos
- ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis, semana de 4 a 10 de outubro Ler a matéria
- ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis, semana de 27 de setembro a 3 de outubro Ler a matéria
- Diário Oficial da União: Portaria SUROC nº 22, de 28 de setembro de 2026 Ler a matéria
- ANTT: piso mínimo do frete tem novo preço de referência do diesel Ler a matéria
- Planalto: Lei 13.703, de 2018, com a redação da Lei 15.485, de 2026 Ler a matéria
- ANTT: calculadora do piso mínimo de frete Ler a matéria
Fotos
- Capa: Túllio F / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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