
Sem ajuda, diesel passaria de R$ 10; risco de reajuste cresce depois das eleições
Levantamento dos importadores mostra diesel da Petrobras R$ 3,89 por litro abaixo do mercado internacional. Subsídios seguram a bomba até as eleições.
- Diesel S10 hoje (MT)
- R$ 7,14
- Se corrigir hoje (MT)
- ≈ R$ 10,45
- Defasagem (15/09)
- R$ 3,89/l
O litro do diesel passaria de R$ 10 nas bombas de Mato Grosso se o preço praticado pela Petrobras fosse igualado hoje ao do mercado internacional. Levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) aponta que, em 15 de setembro, o diesel da estatal estava R$ 3,89 por litro abaixo da paridade de importação, a maior diferença já registrada pela entidade.
A distância acompanha a alta do petróleo. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou a US$ 105,83 em 16 de setembro, pressionado pelos confrontos no Oriente Médio, que reduziram o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta queda de 4,3 milhões de barris por dia na oferta mundial em 2026.
01Quanto custaria o litro
Como o diesel vendido nos postos leva 15% de biodiesel, uma correção integral da defasagem elevaria o preço na bomba em cerca de R$ 3,31 por litro. Com base na média apurada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na semana de 6 a 12 de setembro, o diesel S10 passaria de R$ 6,97 para cerca de R$ 10,28 na média nacional e de R$ 7,14 para R$ 10,45 em Mato Grosso.
Nas cidades do estado, o efeito seria semelhante. Em Sorriso, onde o litro custou em média R$ 7,55, o preço chegaria a R$ 10,86. Em Rondonópolis, iria de R$ 6,99 para R$ 10,30.
O cálculo é uma simulação do Ponto de Apoio e considera que toda a diferença seria repassada de uma só vez, sem mudança nos impostos e nas margens por litro. Na prática, reajustes costumam ser graduais, e a defasagem varia diariamente com o petróleo e o câmbio.
02Quem paga a diferença
Enquanto o preço não é corrigido, a conta é dividida entre a Petrobras e os cofres públicos. Em 17 de setembro, a estatal elevou o diesel em R$ 1,00 por litro nas refinarias, mas o aumento foi anulado por uma subvenção federal de mesmo valor, regulamentada pelo Ministério da Fazenda, com validade de 30 dias e possibilidade de renovação.
Essa ajuda se soma a outra subvenção federal, de R$ 1,12 por litro, que vence em 26 de setembro. Em Mato Grosso, uma lei estadual garante ainda desconto de R$ 1,20 por litro até 31 de dezembro, custeado em partes iguais pelo estado e pela União.
A diferença de preço também preocupa o abastecimento. Segundo a Abicom, importadores têm adiado compras, o que aumenta o risco de restrições pontuais em outubro, mês de maior consumo por causa do plantio da safra. O Brasil importa entre 25% e 30% do diesel que consome, de acordo com a ANP.
03Zonas de segurança nas eleições
O calendário eleitoral ajuda a entender quando um reajuste é mais ou menos provável. Em anos de eleição, aumentos expressivos de combustíveis perto da votação costumam ser evitados. Em 2022, por exemplo, impostos sobre combustíveis foram reduzidos antes do pleito.
A legislação eleitoral também proíbe a criação de benefícios entre 4 de julho e 31 de dezembro, salvo em situações de emergência. É nessa exceção que se apoia o regime emergencial de abastecimento, criado em abril, que sustenta os subsídios ao diesel.
A primeira zona de segurança vai até o 1º turno, em 4 de outubro. Até lá, o subsídio federal soma R$ 2,12 por litro, e a regra que valerá depois de 26 de setembro deve ser definida antes da votação.
A segunda vai de 5 a 25 de outubro, data do eventual 2º turno para presidente e governador. O subsídio de R$ 1,00 vence por volta do dia 16, dentro desse intervalo, o que torna a renovação mais provável.
Depois de 25 de outubro, o risco aumenta. As renovações deixam de coincidir com a votação e passam a depender mais do caixa do governo e do preço do petróleo. Analistas de mercado consideram possível um reajuste depois das eleições, embora a hipótese não esteja no cenário principal da maioria.
A proteção, porém, não é garantida. Uma escalada do conflito no Oriente Médio ou a falta de produto em alguma região pode antecipar mudanças.
04Impacto no frete
Para o transporte de cargas, a conta é direta. Uma carreta roda, em média, 2,6 km por litro, o que faz cada R$ 1,00 a mais no diesel representar cerca de R$ 0,38 por quilômetro. Com a correção integral da defasagem, o acréscimo chegaria a R$ 1,27 por quilômetro.
Em uma viagem de ida e volta entre Sorriso e o porto de Santos (SP), de aproximadamente 4.000 km, o custo extra seria de cerca de R$ 5.100, o equivalente a R$ 140 por tonelada em uma carreta com 37 toneladas.
Transportadores com contratos que se estendem além de 25 de outubro podem avaliar cláusulas de reajuste atreladas ao preço do diesel. A tabela de piso mínimo do frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também é atualizada sempre que o combustível varia mais de 5%.
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Fontes
Artigos
- Forbes Agro: defasagem recorde e risco na oferta de diesel Ler a matéria
- InfoMoney: Petrobras reajusta diesel, subsídio neutraliza Ler a matéria
- Agência Senado: MP estende subsídio ao diesel Ler a matéria
- Agência Câmara: regime emergencial de abastecimento Ler a matéria
- CBN Cuiabá: lei do diesel em Mato Grosso Ler a matéria
- InfoMoney: até onde o Brent pode ir Ler a matéria
- TSE: calendário das eleições 2026 Ler a matéria
- PGE-ES: condutas vedadas em ano eleitoral Ler a matéria
- Eu Quero Investir: reajuste depois das eleições Ler a matéria
- ANP: Levantamento de Preços de Combustíveis Ler a matéria
Fotos
- Capa: Moacir Ximenes / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)
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