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EstradaPor Irisson Lima · 09 de out · 07h00 · leitura 5 min

Cinco obras federais em rodovias de Mato Grosso precisam de R$ 4,16 bilhões para terminar, e ministério as abre a emendas de 2027

Portaria do Ministério dos Transportes publicada na quinta-feira (8) lista as obras que podem receber emendas em 2027. As cinco de Mato Grosso ainda precisam de R$ 4,16 bilhões, e a adequação da BR-163 entre Rondonópolis, Cuiabá e Posto Gil responde por R$ 2,14 bilhões, sem nada realizado.

Falta para concluir
R$ 4,16 bi
BR-163 Rondonópolis-Gil
R$ 2,14 bi
Pago nas cinco obras
R$ 240,9 mi

O Ministério dos Transportes publicou na quinta-feira, 8 de outubro, no Diário Oficial da União, a Portaria nº 859, que lista as obras que podem receber dinheiro de emendas parlamentares no orçamento de 2027. Mato Grosso tem cinco obras de construção ou adequação de rodovias federais na lista, além da ação de recuperação e restauração das rodovias do estado. Pela tabela do próprio ministério, as cinco custam R$ 4,57 bilhões e ainda precisam de R$ 4,16 bilhões para ficar prontas. A maior parte dessa conta, R$ 2,14 bilhões, é da adequação da BR-163 entre Rondonópolis, Cuiabá e Posto Gil, que aparece com orçamento realizado zerado.

Para quem roda no estado, a lista mostra em quais obras federais o dinheiro de emenda pode entrar no ano que vem e quanto falta, pela conta do ministério, em cada uma delas.

01O que a portaria faz

A portaria, assinada pelo ministro George Santoro com data de 7 de outubro, define critérios para que deputados e senadores destinem recursos ao ministério e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em 2027. Valem as emendas individuais, as de bancada estadual e as de comissão permanente.

As obras elegíveis estão no Anexo I, com o custo total de cada empreendimento, o que já foi realizado no orçamento, o que falta para a conclusão, o valor pago e a execução física, que nas obras de Mato Grosso vem em quilômetros. Para construção ou adequação de rodovia, a portaria exige que a entrega financiada seja um trecho operacional ou uma etapa com funcionalidade concluída.

A Lei Complementar nº 210, de 2024, que regula as emendas, prevê que cada bancada estadual apresente até 8 emendas.

02As cinco obras de Mato Grosso

Os valores abaixo estão na tabela do Anexo I, em reais.

  • BR-163, adequação entre Rondonópolis, Cuiabá e Posto Gil: custo de R$ 2,14 bilhões, nada realizado no orçamento e 0,00 km executados.
  • BR-242, construção entre Sorriso e Ribeirão Cascalheira (entroncamento com a BR-158): custo de R$ 1,16 bilhão, R$ 92,44 milhões realizados, R$ 1,06 bilhão para concluir e 0,00 km executados.
  • BR-158, construção entre a divisa com o Pará e Ribeirão Cascalheira: custo de R$ 750 milhões, R$ 233,52 milhões realizados, R$ 516,48 milhões para concluir e 5,42 km executados.
  • Contorno rodoviário de Cuiabá, nas BRs 070, 163 e 364: custo de R$ 365 milhões, R$ 44,61 milhões realizados, R$ 320,39 milhões para concluir e 0,00 km executados.
  • BR-070, contorno de Barra do Garças: custo de R$ 150 milhões, R$ 33,25 milhões realizados, R$ 116,75 milhões para concluir e 10,00 km executados.

Somadas, as cinco têm R$ 403,82 milhões realizados no orçamento e R$ 240,9 milhões pagos (a BR-163 aparece sem valor pago). A execução física registrada é de 15,42 km, todos na BR-158 e no contorno de Barra do Garças.

Como ler a tabela. Os valores são os das colunas "Orçamento Realizado", "Orçamento Necessário para Conclusão" e "Valor Pago" do Anexo I, em milhões de reais, para a ação federal de cada obra.

03BR-163: a maior conta

A adequação da BR-163 responde por mais da metade do que falta nas cinco obras. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informa que a Nova Rota do Oeste administra 850,90 km da BR-163 e da MT-407, da divisa com Mato Grosso do Sul até o entroncamento com a MT-220, em contrato de 30 anos assinado em 2014. A portaria não diz se a ação do DNIT tem relação com esse contrato.

A portaria não explica por que a ação do DNIT nesse trecho está sem execução. Ela só registra os números: R$ 2,14 bilhões de custo e nenhum real realizado.

04Contorno de Cuiabá e as obras que já receberam emendas

No contorno de Cuiabá, a tabela federal registra R$ 365 milhões de custo e não detalha o traçado. Em 31 de outubro de 2025, a Agência iNFRA descreveu o Contorno Norte de Cuiabá, também chamado de Rodoanel, com 52 km de extensão total e investimento de R$ 540 milhões, 60% do DNIT e 40% do governo de Mato Grosso. O trecho em obra tinha 21,5 km, entre o Trevo do Lagarto, na BR-163 em Várzea Grande, e a MT-251, a Estrada da Chapada, e o DNIT mantinha dez frentes de trabalho no Contorno Norte. A portaria não diz se a ação federal é a mesma obra nem explica a diferença entre os valores.

A portaria tem ainda um Anexo II, com as obras iniciadas e não concluídas que já foram objeto de emendas de bancada ou de comissão em anos anteriores. Dele constam a BR-242 entre Sorriso e Ribeirão Cascalheira, a BR-158 entre a divisa com o Pará e Ribeirão Cascalheira e a recuperação e restauração das rodovias federais de Mato Grosso.

05Rotas de saída fora do estado

A lista inclui trechos fora do estado que partem da divisa com Mato Grosso. A construção da BR-163 entre a divisa de Mato Grosso com o Pará e Santarém tem custo de R$ 2,65 bilhões, com R$ 684,73 milhões realizados e R$ 1,97 bilhão para concluir. A adequação da BR-364 em Rondônia, da divisa com Mato Grosso à divisa com o Acre, custa R$ 281 milhões e tem 0,00 km executados.

06O que muda daqui para frente

Estar na lista não garante dinheiro. A portaria só diz quais obras podem receber emendas e com quais critérios. Pela portaria, cabe ao autor da emenda indicar a programação, os beneficiários, o objeto e a ordem de prioridade. A destinação efetiva depende da votação do orçamento de 2027 no Congresso e da execução pelo DNIT, e a tabela do ministério é o ponto de partida para acompanhar quanto de cada trecho vai andar no ano que vem.

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Fontes

Artigos

Fotos

  • Capa: Túllio F / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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