
Tapajós em Itaituba está 1,31 m abaixo do nível de um ano atrás, e frete de Sorriso a Miritituba ainda cai
O Tapajós marcou 2,38 m em Itaituba na sexta-feira (2), 1,31 m abaixo do mesmo dia de 2025, segundo a telemetria da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. O frete de grãos de Sorriso a Miritituba ainda recua, para R$ 273,75 por tonelada, e o Instituto Nacional de Meteorologia prevê chuva abaixo da média em outubro no Norte e em Mato Grosso.
- Tapajós em Itaituba
- 2,38 m
- Abaixo de 2025
- 1,31 m
- Frete até Miritituba/t
- R$ 273,75
O rio Tapajós começou a sexta-feira, 2 de outubro, com 2,38 m em Itaituba (PA), onde fica o distrito de Miritituba, destino dos caminhões de soja e milho que sobem a BR-163 a partir de Mato Grosso. É 1,31 m abaixo do registrado no mesmo dia de 2025, segundo a telemetria da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O frete rodoviário ainda não reflete a vazante: o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) registrou o frete de grãos de Sorriso a Miritituba em R$ 273,75 por tonelada na semana de 21 a 25 de setembro, o quinto recuo semanal seguido.
01Quanto o rio baixou
Os números vêm das estações de Itaituba e de Santarém (PA), da Rede Hidrometeorológica Nacional, operadas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) para a ANA. As comparações usam a primeira leitura de cada dia e são contas do Ponto de Apoio.
Em Itaituba, o rio marcava 3,60 m em 14 de setembro e caiu 1,22 m até 2 de outubro. Ficou abaixo de 3 m ao longo de 21 de setembro. Em Santarém, a cota foi de 3,94 m para 2,51 m no mesmo período.
A descida perdeu velocidade na última semana. Em Itaituba, foram 63 cm entre 18 e 25 de setembro e 31 cm entre 25 de setembro e 2 de outubro. Em Santarém, 67 cm e 43 cm.
Na comparação com o ano passado, Santarém está 1,53 m abaixo. Com 2024, o quadro é outro: no mesmo 2 de outubro daquele ano de seca extrema, Itaituba marcava 0,87 m, e o rio hoje está 1,51 m acima.
São leituras automáticas, brutas, e podem diferir em até cerca de 15 cm das cotas dos boletins semanais do SGB.
02O que a cota quer dizer para a barcaça
A cota na régua não corresponde diretamente à profundidade do canal. Segundo reportagem do Amazonas Atual publicada na quinta-feira, 1º de outubro, o SGB explica que as barcaças são projetadas para navegar com 4,5 metros de profundidade quando estão totalmente carregadas, e que esse nível já está menor em parte do trajeto entre Miritituba e Santarém.
O pesquisador do SGB David Franco Lopes disse ao site que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) considera profundidades mínimas da ordem de 2,5 metros no Baixo Tapajós.
A Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (Amport) informou, segundo o Amazonas Atual, que ainda não houve redução de carga nem mudança na operação das embarcações, mas prevê alterações nas próximas semanas. Entre os trechos que mais preocupam o setor, segundo a entidade, estão Itapaiúnas, Barranco do Navio e Monte Cristo.
O governo federal decidiu não fazer a dragagem de manutenção do trecho entre Itaituba e Santarém neste ano, como o Ponto de Apoio mostrou em 27 de setembro.
03O frete na estrada ainda não sentiu
No boletim semanal de soja divulgado na segunda-feira, 28 de setembro, o Imea registrou R$ 273,75 por tonelada no frete de grãos de Sorriso a Miritituba na semana de 21 a 25 de setembro. Na semana anterior, eram R$ 278,75. Na de 24 a 28 de agosto, R$ 290,00, e na de 17 a 21 de agosto, R$ 291,25, segundo o boletim da semana anterior. Entre 24 de agosto e 25 de setembro, a queda é de 5,6%, pela conta do Ponto de Apoio.
O frete de fertilizante de Rondonópolis a Sorriso, outra rota acompanhada pelo instituto, também recuou na semana, de R$ 155,43 para R$ 151,75 por tonelada.
No campo, a safra nova anda devagar. O Imea contava 3,87% da área de soja semeada em Mato Grosso, 2,10 pontos percentuais atrás do mesmo período da safra passada. Segundo o instituto, o atraso reflete a cautela dos produtores em "semear no pó", diante da previsão de veranicos associados ao El Niño.
04Por que a chuva importa
A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para outubro não ajuda o rio. Publicada em 25 de setembro, ela indica chuva abaixo da média em grande parte da Região Norte, especialmente em Roraima, no norte do Amazonas e no sudeste e sudoeste do Pará, além de temperaturas até 2 °C acima da média. No Centro-Oeste, segundo o instituto, a chuva abaixo da média se concentra em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e áreas de Mato Grosso do Sul.
Se a vazante seguir, a tendência é de barcaças com menos carga, segundo o pesquisador do SGB. É por esse caminho que um problema na hidrovia pode chegar à ponta rodoviária, no preço pago ao caminhão que desce para Miritituba.
05O que acompanhar
Três sinais dizem se a seca começa a pesar no frete de quem roda a BR-163. A cota de Itaituba, que a ANA atualiza a cada 15 minutos. O boletim semanal do Imea, que sai às segundas-feiras com o frete de Sorriso a Miritituba. E qualquer aviso de mudança na operação das barcaças, que a Amport diz esperar para as próximas semanas.
Por ora, o rio está bem acima de 2024 e o frete continua em queda. A distância para o ano passado, porém, é grande, e a previsão de chuva para outubro é de menos água na bacia.
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Fontes
Artigos
- ANA: Telemetria da estação Itaituba, rio Tapajós Ler a matéria
- ANA: Telemetria da estação Santarém, rio Tapajós Ler a matéria
- Imea: Boletim Semanal Soja nº 916 Ler a matéria
- Inmet: Outubro, como será o clima no Brasil Ler a matéria
- Amazonas Atual: Seca reduz profundidade do Tapajós e pode limitar carga em barcaças Ler a matéria
Fotos
- Capa: idobi / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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