Ponto de Apoio
FretePor Irisson Lima · 04 de out · 07h00 · leitura 4 min

Plantio da soja em Mato Grosso chega a 10,23% e segue atrás de 2025, enquanto importação de fertilizante do país cai 13,8% até agosto

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta 10,23% da soja 2026/27 semeada em Mato Grosso, 4,79 pontos atrás de 2025 por falta de chuva, e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra importação de fertilizantes no país 13,8% menor de janeiro a agosto.

Soja semeada (MT)
10,23%
Atraso ante 2025
4,79 pontos
Queda na importação
13,8%

O plantio da soja da safra 2026/27 chegou a 10,23% da área prevista em Mato Grosso, segundo o informe de semeadura do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgado na sexta-feira, 2 de outubro. O avanço foi de 6,36 pontos percentuais na semana, mas o estado segue 4,79 pontos atrás do mesmo período do ano passado, quando a semeadura estava em 15,03%. A falta de chuva tem limitado o avanço.

Para quem roda ou contrata frete no estado, o ritmo do plantio define quando a nova safra vai para a estrada. Ao mesmo tempo, o Boletim Logístico de setembro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que o país importou menos fertilizante neste ano, inclusive pelos portos do Arco Norte.

01Onde o plantio anda e onde está parado

O atraso não é igual em todo o estado. O Oeste é a região mais adiantada, com 18,42% da área semeada, e foi a que mais avançou na semana, 10,86 pontos. Já está levemente à frente do ano passado, por 0,18 ponto. O Nordeste também supera 2025, com 6,75% contra 5,37%.

O Médio-Norte avançou 9,26 pontos na semana e chegou a 14,64%. Mesmo assim, é a região com a maior distância para o ano passado: 9,63 pontos, já que no início de outubro de 2025 estava com 24,27%. O Noroeste, com 9,53%, está 9,36 pontos atrás, e o Norte, com 8,85%, 8,40 pontos.

As regiões com menor área semeada são o Sudeste, com 4,90%, e o Nordeste, com 6,75%, embora o Nordeste esteja à frente de 2025. O Centro-Sul tem 7,15% e está 6,48 pontos atrás do ano passado. O Sudeste está 2,65 pontos atrás.

Na média de cinco anos, o Imea registra 11,23% para esta época. O estado está, portanto, um ponto abaixo da média, e não só abaixo do ano passado.

02Por que os produtores seguram a semeadura

O Imea liga o atraso à umidade do solo. No boletim semanal de 28 de setembro, o instituto escreveu que o ritmo mais lento reflete a cautela dos produtores em "semear no pó", diante da previsão de instabilidade e de veranicos associados ao El Niño.

A analista de agricultura do Imea Milena Bezerra afirmou, segundo o Só Notícias, que o ritmo segue condicionado a chuvas capazes de melhorar a umidade do solo. O jornal observa que os maiores avanços nos municípios aparecem em áreas de grandes grupos produtores; segundo o Imea, Campo Novo do Parecis é um exemplo. Os demais produtores aguardam condições melhores de umidade para começar ou acelerar o plantio.

A analista vê espaço para recuperação. "Apesar do atraso, a semeadura ainda está na fase inicial e, com a regularização das chuvas, o ritmo tende a acelerar, permitindo recuperar parte da diferença nas próximas semanas", afirmou, segundo o Só Notícias.

O boletim de 28 de setembro também comparou o ritmo com o da safra 2023/24, outro ano de El Niño. Na semana encerrada em 25 de setembro, a semeadura estava apenas 0,32 ponto abaixo daquele ciclo.

03O tamanho da safra que vem aí

O Imea estima a área de soja 2026/27 em Mato Grosso em 13,05 milhões de hectares, com produção de 48,88 milhões de toneladas.

Segundo a Conab, a maior parte da colheita da soja está prevista para janeiro e fevereiro de 2027. A companhia avalia, no boletim de setembro, que o estado ainda tem um volume relevante de milho a escoar antes da próxima safra de soja, e que a alta do cereal elevou a procura por transporte rodoviário.

04Fertilizante importado cai, e o Arco Norte recebe menos

No lado dos insumos, o Boletim Logístico da Conab, divulgado na quarta-feira, 30 de setembro, traz um sinal de retração. De janeiro a agosto, o Brasil importou 25,38 milhões de toneladas de fertilizantes, contra 29,43 milhões no mesmo período de 2025, uma queda de 13,8%.

Pelos portos do Arco Norte entraram 7,25 milhões de toneladas, contra 8,61 milhões um ano antes, queda de 15,9%. Paranaguá recebeu 5,65 milhões de toneladas, contra 7,54 milhões, queda de 25,0%. Santos foi a exceção: 5,82 milhões de toneladas, alta de 19,8% sobre os 4,85 milhões de 2025.

Agosto concentrou a maior parte da queda. Foram 2,97 milhões de toneladas importadas, contra 5,22 milhões em agosto do ano passado, recuo de 43,2%.

A Conab atribui o movimento à cautela do mercado diante das tensões no Oriente Médio. Segundo o boletim, a alta do petróleo e os riscos sobre rotas comerciais aumentaram a preocupação "com fretes, abastecimento e disponibilidade dos insumos". Somadas às dificuldades de crédito, essas restrições levaram compradores brasileiros a adiar aquisições e a dar preferência a produtos nacionais e a fontes alternativas.

05O que acompanhar nas próximas semanas

O Imea atualiza o informe de semeadura toda semana. A chuva de outubro vai dizer se o atraso diminui.

De onde vêm os números. Os percentuais de plantio são do informe de semeadura do Imea de 2 de outubro de 2026. Os dados de importação de fertilizantes são do Boletim Logístico de setembro da Conab, com base no Comex Stat, e cobrem todo o país, sem recorte por estado de destino. As variações percentuais foram calculadas pelo Ponto de Apoio a partir das toneladas publicadas pela Conab.

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Fontes

Artigos

Fotos

  • Capa: Pedro Biondi / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)
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