Ponto de Apoio
FretePor Irisson Lima · 09 de out · 07h00 · leitura 5 min

Mato Grosso exporta 32,1% menos milho em setembro, e queda chega a 40,3% no Arco Norte

Mato Grosso exportou 2,85 milhões de toneladas de milho em setembro, 32,1% menos que um ano antes, segundo o Comex Stat. No milho embarcado pelo Arco Norte, a queda foi de 40,3%; em Santos, de 11,5%.

Milho de MT em setembro
2,85 mi t
Queda em um ano
32,1%
Queda no Arco Norte
40,3%

Mato Grosso exportou 2,85 milhões de toneladas de milho em setembro de 2026, 32,1% menos que os 4,20 milhões de toneladas de setembro de 2025. O dado é do Comex Stat, a base oficial de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), atualizada com o mês na terça-feira, 6 de outubro. A retração foi maior no milho embarcado pelo Arco Norte, o que significa menos milho rumo aos corredores de exportação justamente nos meses de maior embarque do cereal.

O levantamento considera o milho com origem em Mato Grosso, pelo critério de unidade da Federação de origem do produto, e soma o que foi registrado em cada unidade da Receita Federal de embarque. A unidade de embarque indica por onde a carga deixou o país, não o trajeto rodoviário até lá. As contas de variação e de participação são do Ponto de Apoio, feitas com os volumes publicados.

01Arco Norte perde mais que Santos

Somadas as cinco unidades da Receita Federal que o Ponto de Apoio agrupou como Arco Norte, no Pará, no Amazonas, no Amapá e no Maranhão, por onde o milho mato-grossense saiu em setembro, Belém, Santarém, São Luís, Manaus e Santana, o volume caiu de 2,92 milhões de toneladas em setembro de 2025 para 1,75 milhão de toneladas neste ano. A queda é de 40,3%.

Os maiores recuos em volume foram nas unidades do Pará, e todas as unidades do grupo caíram:

  • Belém: de 1,56 milhão para 1,06 milhão de toneladas, queda de 32,4%.
  • Santarém: de 746,4 mil para 351,9 mil toneladas, queda de 52,8%.
  • São Luís: de 352,5 mil para 180,9 mil toneladas, queda de 48,7%.
  • Manaus: de 206,3 mil para 136,9 mil toneladas, queda de 33,6%.
  • Santana: de 57,8 mil para 21,6 mil toneladas, queda de 62,7%.

No Porto de Santos, a redução foi menor. O milho de Mato Grosso embarcado por lá passou de 1,19 milhão para 1,05 milhão de toneladas, queda de 11,5%. Com isso, Santos ficou com 36,9% do milho exportado pelo estado em setembro, praticamente empatado com Belém, que teve 37,0%. As cinco unidades do Arco Norte, que tinham 69,6% do volume em setembro de 2025, ficaram com 61,2%.

Os números do Comex Stat não explicam por que a queda se concentrou no Arco Norte. Eles mostram onde a carga deixou de embarcar, não o motivo.

02Terceiro trimestre fraco

Setembro não é um caso isolado. Em agosto, Mato Grosso exportou 3,18 milhões de toneladas de milho, 20,1% menos que os 3,98 milhões de toneladas de agosto de 2025. Julho ficou estável, com alta de 4,6%.

No terceiro trimestre, que concentrou 66,7% do milho exportado por Mato Grosso de janeiro a setembro deste ano, o estado exportou 7,61 milhões de toneladas, contra 9,69 milhões de toneladas de julho a setembro de 2025. A diferença é de 21,4%. No acumulado de janeiro a setembro, a queda é menor, de 5,0%, de 12,02 milhões para 11,42 milhões de toneladas, porque o estado embarcou mais milho no começo do ano: 3,81 milhões de toneladas no primeiro semestre, contra 2,33 milhões no mesmo período de 2025.

Mato Grosso continuou sendo a maior origem do cereal exportado pelo país. O Brasil vendeu 5,21 milhões de toneladas de milho em setembro, 31,1% menos que os 7,56 milhões de toneladas do mesmo mês de 2025, e o milho mato-grossense respondeu por 54,7% desse total.

03Soja recua no mês, algodão sobe

A soja de Mato Grosso também saiu em menor volume em setembro: 750,3 mil toneladas, 14,9% menos que as 881,5 mil toneladas de setembro de 2025. O resultado do ano, porém, segue positivo. De janeiro a setembro, o estado exportou 30,97 milhões de toneladas de soja, 6,1% a mais que os 29,18 milhões de toneladas do mesmo período do ano passado. Em setembro, a maior parte da soja mato-grossense embarcou por Santos, com 524,9 mil toneladas.

O algodão em pluma foi na direção contrária. Mato Grosso exportou 94,4 mil toneladas em setembro, alta de 18,2% sobre as 79,9 mil toneladas de um ano antes.

04O que vem em outubro

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta que o Brasil embarque 5,34 milhões de toneladas de milho em outubro, 6,2% menos que os 5,69 milhões de toneladas de outubro de 2025. A estimativa, divulgada na quarta-feira, 7 de outubro, se baseia na programação de embarques. Pela mesma conta, a programação soma 24,80 milhões de toneladas de milho de janeiro a outubro, entre embarques feitos e previstos, queda de 16,3%. A Anec informa ainda que a colheita da segunda safra está quase encerrada, com 99,9% da área colhida.

A projeção da Anec usa outra metodologia e não separa o volume por estado. Por isso, não é comparável diretamente com os números do Comex Stat.

No médio prazo, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta, desde setembro, menos milho saindo do estado. Para a safra 2026/27, o instituto estima exportações de 17,50 milhões de toneladas, redução de 27,39% em relação a 2025/26, e consumo interno de 27,04 milhões de toneladas, alta de 16,23%, puxado pela abertura de novas usinas de etanol de milho e pela ampliação das que já operam.

05O que isso muda para quem roda

Menos milho exportado significa menos carga com destino aos corredores de exportação. Pelos dados de setembro, a perda de volume foi maior no milho embarcado pelas unidades do Arco Norte, como Belém e Santarém, do que no que saiu por Santos. Já a projeção do Imea indica que uma parte maior da produção deve ficar em Mato Grosso, com destino ao consumo interno, sobretudo usinas de etanol de milho.

Até o Comex Stat publicar os embarques de outubro, a programação acompanhada pela Anec é o termômetro mais próximo do movimento nos portos.

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Fontes

Artigos

Fotos

  • Capa: Tiago F. Boaventura / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
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