Ponto de Apoio
EstradaPor Irisson Lima · 18 de set · 11h28 · leitura 4 min

Governo tira R$ 100 milhões da BR-158 em Mato Grosso, e DNIT promete 42 km do contorno até dezembro

Portaria do Planejamento cancelou R$ 100 milhões da obra que contorna a Terra Indígena Marãiwatsédé. DNIT e Ministério dos Transportes dizem que o trabalho segue, com 22 km implantados e meta de 42 km até dezembro, num corredor de cerca de 2 mil carretas por dia.

Corte na BR-158
R$ 100 mi
Já implantados
22 km
Meta até dezembro
42 km

O governo federal cancelou R$ 100 milhões do orçamento deste ano reservados à construção da BR-158 entre a divisa com o Pará e Ribeirão Cascalheira, no nordeste de Mato Grosso. O corte está na Portaria nº 397 do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), publicada no Diário Oficial da União em 14 de setembro. Três dias depois, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Ministério dos Transportes afirmaram que a obra do contorno da Terra Indígena Marãiwatsédé não vai parar.

A disputa interessa a quem roda no Vale do Araguaia. Pelas contas do DNIT, cerca de 2 mil carretas passam por dia pela rodovia, que ainda tem trechos sem asfalto. O governo diz que 22 quilômetros do novo traçado já foram implantados e promete chegar a 42 até dezembro.

01O que diz a portaria

A Portaria GM/MPO nº 397, de 10 de setembro, abre um crédito suplementar de R$ 654,8 milhões para vários órgãos federais. O texto diz de onde sai o dinheiro: os recursos "decorrem de anulação de dotações orçamentárias". Para reforçar umas despesas, o governo retirou verba de outras.

No anexo de cancelamentos aparecem três linhas de Mato Grosso:

  • R$ 100 milhões da construção da BR-158 entre a divisa do Pará e Ribeirão Cascalheira;
  • R$ 1,99 milhão da construção da BR-242 entre Sorriso e Ribeirão Cascalheira;
  • R$ 7,79 milhões da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), no trecho que corta o estado.

Somados, os cortes no estado chegam a R$ 109,8 milhões. A portaria não informa quanto sobrou para cada obra depois do cancelamento.

02O que o governo responde

Na quinta-feira, 17 de setembro, o DNIT e o Ministério dos Transportes negaram que a perda de verba paralise o contorno. "A obra seguirá para o próximo ano. Está tudo dentro do orçamento, com previsão orçamentária", afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro.

Em vídeo divulgado pelo órgão, o coordenador de Engenharia do DNIT em Mato Grosso, Marcelo Sortica, foi na mesma linha: "Quero trazer categoricamente a informação de que isso não corresponde à realidade dos fatos".

Nenhum dos dois explicou como a obra mantém o ritmo com R$ 100 milhões a menos em 2026.

Marco do km 174 da BR-158 em Porto Alegre do Norte, em outubro de 2023
Marco do km 174 da BR-158 em Porto Alegre do Norte, em outubro de 2023Túllio F / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

03Onde a obra está

Os primeiros 12 quilômetros pavimentados do contorno, entre Porto Alegre do Norte e o Posto Luizinho, foram entregues em 21 de maio. Depois disso, outros 10 quilômetros foram liberados, e a etapa soma 22 quilômetros implantados. A meta anunciada é executar mais 20 quilômetros até o fim do ano.

O avanço é recente. Em janeiro de 2025, quando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) liberou a licença ambiental, só 2,5 quilômetros estavam concluídos, segundo o Poder360.

Para mostrar que a obra segue, o DNIT citou o Contrato nº 594/2026, de R$ 50,7 milhões, que prevê nove obras de arte especiais, entre pontes e outras estruturas, no primeiro lote do contorno. A empresa contratada e o prazo não foram divulgados.

04O tamanho do contorno

O novo traçado tem 195,42 quilômetros e foi desenhado para desviar da terra indígena, do povo xavante. A obra está dividida em dois lotes:

  • Lote A: 93,99 quilômetros, entre Porto Alegre do Norte e Alto Boa Vista, dos quais 86 quilômetros têm licença ambiental;
  • Lote B: 101,43 quilômetros, entre Alto Boa Vista e Bom Jesus do Araguaia, ainda em projeto.

Mesmo que a meta seja cumprida, os 42 quilômetros previstos para dezembro são menos da metade do Lote A e pouco mais de um quinto do contorno inteiro.

Por que importa. O DNIT considera a BR-158 um dos principais corredores logísticos do Vale do Araguaia, com papel estratégico no escoamento da produção de Mato Grosso. Segundo o Poder360, a falta de pavimento no trecho eleva custos e traz desafios de logística e de segurança.

05O que acompanhar

O governo assumiu um número e um prazo: 42 quilômetros implantados até dezembro. É uma promessa que se confere na estrada.

Também vale observar o início das pontes do Contrato nº 594/2026 e o que o orçamento de 2027 reservará para a BR-158. O Lote B ainda não tem obra. Sem ele, o contorno não chega a Bom Jesus do Araguaia, e quem atravessa a região continua passando por trechos de terra.

Essa matéria ajuda alguém que roda com você? Compartilhe.

Fontes

Artigos

Fotos

  • Capa: Túllio F / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Marco do km 174 da BR-158 em Porto Alegre do Norte, em outubro de 2023: Túllio F / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Bota isso no automático

O Carcaraz organiza notas, contratos e o acerto do motorista.

Testar o Carcaraz