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EstradaPor Irisson Lima · 17 de set · 11h03 · leitura 4 min

Leilões de rodovias, pedágio mais caro e El Niño marcam o fim de ano do transporte em Mato Grosso

Rodovias federais vão a leilão em novembro e dezembro, tarifas da BR-163 sobem e a safra começa sob alerta de El Niño muito forte.

Leilão BR-163/230
12 nov
Leilão Cuiabá-Vilhena
17 dez
Soja MT 2026/27
48,9 mi t

Quem transporta cargas em Mato Grosso terá um fim de ano movimentado. Dois grandes trechos de rodovias federais que cortam o estado vão a leilão entre novembro e dezembro, os pedágios da BR-163 ficaram mais caros em 2026 e a safra 2026/27 começa sob risco de um El Niño forte, com possíveis efeitos sobre a demanda por caminhões.

01Leilões de rodovias

O primeiro leilão está marcado para 12 de novembro, na B3, em São Paulo. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai escolher o novo controlador da concessão da BR-163 e da BR-230 entre Mato Grosso e Pará, com 1.009 km e investimentos previstos de R$ 10,8 bilhões em 30 anos. O trecho é o principal corredor de escoamento da produção do Centro-Oeste para os portos do Arco Norte.

Em 17 de dezembro será a vez da Rota Agro Central, com 887 km das BR-070, BR-174 e BR-364, entre a região metropolitana de Cuiabá e Vilhena (RO). O projeto, aprovado por unanimidade pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em agosto, prevê R$ 6,1 bilhões em investimentos.

Já o contrato da Rota Agro entre Rondonópolis e Rio Verde (GO), na BR-060/364, foi assinado em março. A concessão deve trazer novas praças de pedágio depois da conclusão das primeiras obras.

02Pedágios mais caros

As duas concessionárias que operam a BR-163 no estado reajustaram as tarifas neste ano. Na Via Brasil, responsável pelo trecho entre Sinop e Miritituba (PA), a tarifa passou a R$ 10,80 por eixo nas praças de Cláudia e Guarantã do Norte em 20 de julho, após correção de 4,26% pela inflação. Uma carreta de seis eixos paga R$ 64,80 em cada praça.

Na Nova Rota do Oeste, que administra a rodovia da divisa com Mato Grosso do Sul até Sinop, o reajuste foi de 10,77%, com tarifas entre R$ 5,40 e R$ 10,40 por eixo. Além da inflação, o percentual incorporou novas obrigações assumidas pela concessionária. A praça mais cara é a de Sorriso.

O governo estadual projeta concluir a duplicação entre Diamantino e Sinop até dezembro de 2026. A concessionária, no entanto, trabalha com prazo de até quatro anos para entregar as obras previstas.

03Ferrovias no horizonte

No médio prazo, os trilhos devem mudar a logística do estado. A Rumo inaugurou o terminal de Dom Aquino da ferrovia estadual, com capacidade para 10 milhões de toneladas por ano, e prevê chegar a Lucas do Rio Verde em 2030.

A Ferrogrão, planejada entre Sinop e Miritituba, teve o principal entrave jurídico removido em maio, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) validou a lei que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim. O projeto, que pode reduzir em até 20% o custo do frete agrícola, ainda não saiu do papel.

Com o avanço das ferrovias, parte da carga de longa distância tende a migrar para os trilhos, e os caminhões passam a fazer mais viagens curtas até os terminais.

04Safra sob risco de El Niño

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima a produção de soja da safra 2026/27 em 48,9 milhões de toneladas, 5,2% abaixo do recorde de 51,6 milhões do ciclo anterior. A área plantada cresce pouco, e a produtividade deve cair.

O plantio começa sob alerta climático. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a chance de o El Niño atingir intensidade muito forte. No Centro-Oeste, o principal risco é que chuvas antecipadas estimulem a semeadura e sejam seguidas por dias de calor e tempo seco.

Para o transporte, a irregularidade pode concentrar a colheita e aumentar a disputa por caminhões. Foi o que ocorreu em janeiro, quando o frete de Sorriso para Miritituba subiu de R$ 260 para R$ 330 por tonelada em duas semanas.

05Outras datas

O calendário inclui ainda outras datas relevantes para o setor. Em 31 de dezembro terminam o desconto estadual de R$ 1,20 por litro no diesel, dividido entre o estado e a União, e o congelamento da base de cálculo do Fethab, contribuição estadual que incide sobre a produção agropecuária.

Em 1º de janeiro de 2027 começa a cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada pela reforma tributária, que também incide sobre o frete.

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Fontes

Artigos

Fotos

  • Capa: Agência CNT de Notícias / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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