Ponto de Apoio
CombustívelPor Irisson Lima · 04 de out · 07h00 · leitura 5 min

G7 vai liberar até 100 milhões de barris de reservas, e Trump descarta vetar o diesel americano, origem de 70,8% do importado pelo Brasil em agosto

O G7 vai liberar até 100 milhões de barris de reservas em quatro meses, com diesel antecipado, e Trump diz que não vai proibir a exportação de diesel dos EUA, que venderam 70,8% do diesel importado pelo Brasil em agosto. O Brent segue acima de US$ 100.

Reservas do G7 (barris)
100 milhões
EUA no diesel importado
70,8%
Abaixo da paridade (L)
R$ 3,00

O Grupo dos Sete (G7), que reúne as maiores economias industrializadas, anunciou na sexta-feira, 2 de outubro, que vai liberar até 100 milhões de barris de petróleo e de diesel de suas reservas de emergência ao longo de quatro meses, com uma parte grande de diesel nos primeiros 20 dias. No mesmo dia, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, disse que o país não vai proibir a exportação do combustível. Há pouco mais de uma semana, ele dizia considerar esse veto; agora, a pressão americana virou decisão do G7, e a ameaça saiu de cena. Para quem roda em Mato Grosso, a notícia diminui um risco concreto: o Brasil compra de fora parte do diesel que consome, e, como o Ponto de Apoio já mostrou, em agosto os EUA venderam 70,8% desse diesel importado.

01O que o G7 decidiu

A decisão saiu de uma reunião por videoconferência presidida pelo presidente da França, Emmanuel Macron, cujo país preside o grupo neste ano. Segundo a declaração conjunta divulgada pelo governo francês e reproduzida pela CBS News, a liberação será coordenada, começa imediatamente e se estende por quatro meses. O texto prevê uma "liberação substancial e antecipada de diesel nos primeiros 20 dias", na tradução do Estadão Conteúdo.

A operação passa pela Agência Internacional de Energia (AIE). Os líderes também disseram que vão se reunir nos próximos dias, no âmbito da agência, para discutir novas liberações de diesel se for preciso, segundo a CNBC.

02A ameaça que motivou o acordo

A liberação veio depois de pressão de Washington. O governo americano cobrava dos europeus que usassem seus estoques de diesel para baixar o preço mundial do combustível e, segundo o Diário do Poder, os europeus enfrentariam, em caso de recusa, uma possível proibição americana à exportação de diesel. Na quinta-feira, 1º de outubro, o governo americano enviou aos líderes da União Europeia (UE) uma proposta para liberar 120 milhões de barris de diesel em 180 dias, de acordo com a Al Jazeera, que cita o site americano Politico.

Na sexta, antes do anúncio do G7, a Comissão Europeia afirmou que "rejeita totalmente" qualquer proibição americana às exportações de diesel, segundo o Estadão Conteúdo. Segundo a AIE, citada pela CNBC, os EUA forneceram cerca de metade do diesel importado pela UE em agosto.

Pouco antes do comunicado do G7, Trump escreveu na rede Truth Social que a Europa concordou em liberar uma quantidade "massiva" de seus estoques de diesel e que o processo "começará imediatamente", segundo o Diário do Poder. Mais tarde, disse a jornalistas na Casa Branca que a proibição nunca esteve de fato em discussão, de acordo com a CBS News. No fim de setembro, porém, o próprio presidente tinha dito que considerava o veto e que havia pedido apoio a ele, segundo a CBS News e o site americano de transporte TT News, que registrou a fala de sexta como uma mudança de posição.

03O que isso muda para o diesel do Brasil

O Brasil não faz parte do G7, e o compromisso por escrito tem esse limite. Segundo a CBS News, os líderes reafirmaram o compromisso de não restringir exportações de energia entre os países do grupo e pediram a todos os produtores que evitem proibições que possam agravar o mercado. Ou seja: a garantia formal vale entre os membros; para os demais compradores, como o Brasil, o que existe é um apelo, sem compromisso, e uma declaração verbal de Trump.

É isso que dá peso à decisão de sexta para o Brasil, porque a dependência do diesel americano é alta. Pelos dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil importou 1,018 milhão de toneladas de diesel em agosto, último mês disponível. Os EUA venderam 721 mil toneladas, ou 70,8% do total. A Índia ficou com 20,1% e a Rússia, com 5,5%.

Um veto americano obrigaria os importadores a buscar o produto em outros mercados, e a oferta segue apertada, segundo o Canal Rural.

04Brent segue acima de US$ 100

O anúncio não derrubou o petróleo. O tipo americano West Texas Intermediate (WTI) chegou a cair 4% durante a sessão de sexta, depois do comunicado do G7, e fechou em queda de 1,9%, a US$ 91,11. O barril do Brent, referência internacional, fechou com recuo de apenas 0,06%, a US$ 102,25, praticamente estável em relação aos US$ 102,31 de quinta-feira, segundo o Estadão Conteúdo. Na semana, o Brent acumulou alta de 4,94%.

A conta dos importadores continua no vermelho. No boletim de sexta, com os preços de fechamento de quinta-feira, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calculou que o diesel S10 vendido pelas refinarias brasileiras está, em média, R$ 3,00 por litro abaixo da paridade de importação, o preço de referência do produto trazido de fora. No boletim anterior, a diferença era de R$ 3,40: a distância diminuiu R$ 0,40 em um dia. Pelas contas da entidade, a janela de importação está fechada há 262 dias, na média.

A Abicom calcula ainda que a paridade de importação subiu R$ 1,88 por litro desde o último reajuste da Petrobras. O boletim de sexta ainda não reflete o anúncio do G7.

05O preço em Mato Grosso

Enquanto isso, o governo segue pagando a produtores e importadores a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel A de uso rodoviário, valor fixado pela Portaria nº 2.946 do Ministério da Fazenda por 30 dias contados de 27 de setembro, com possibilidade de prorrogação por igual período.

Em Mato Grosso, o diesel S10 custou em média R$ 7,70 na semana de 27 de setembro a 3 de outubro, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O que acompanhar. A liberação de diesel nos primeiros 20 dias, a nova reunião na AIE, o próximo boletim da Abicom e a decisão da Fazenda sobre a subvenção.

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Fontes

Artigos

  • CBS News: Trump says Europe has agreed to release diesel Ler a matéria
  • CNBC: G7 nations to release diesel stocks Ler a matéria
  • Times Brasil: Petróleo fecha em queda após G7 anunciar liberação de 100 milhões de barris Ler a matéria
  • Diário do Poder: Trump e Macron anunciam liberação de até 100 milhões de barris Ler a matéria
  • Al Jazeera: Trump vs Europe over emergency diesel stocks Ler a matéria
  • Abicom: Análise diária de paridade de importação, 2 de outubro Ler a matéria
  • Canal Rural: Petróleo fecha em queda após plano do G7 Ler a matéria
  • Al Jazeera: G7 to release 100m oil barrels Ler a matéria
  • Abicom: Análise diária de paridade de importação, 1º de outubro Ler a matéria
  • TT News: Trump rules out U.S. diesel export ban Ler a matéria

Fotos

  • Capa: Rangan Datta Wiki / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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